As bolsas de Nova Iorque terminaram a derradeira sessão da semana e do mês com avanços, impulsionadas sobretudo pelas ações das gigantes de tecnologia dos EUA, que apresentaram resultados, no geral, positivos, ao longo da semana. Ainda assim, estes aumentos não foram suficientes para “esquecer” um julho vertiginoso. 


Apesar da procura insaciável das empresas por tudo o que está relacionado com inteligência artificial (IA), as “big tech” enfrentaram oscilações, com expectativas elevadas a deixarem pouco espaço para desilusões entre os investidores. Ao mesmo tempo, o aumento das hostilidades no Médio Oriente, um banco central dos EUA dividido e as pressões inflacionistas que persistem captaram a atenção de Wall Street este mês. 


Embora o S&P 500, tenha apresentado um ganho modesto esta semana (de menos de 1%), a variação não chega “nem perto de refletir a enorme volatilidade que ocorreu nos bastidores”, de acordo com os estrategas do Bespoke Investment Group, citados pela Bloomberg.


Neste contexto, o S&P 500 acumulou um saldo negativo no mês de julho (-0,13%), mas ganhou ligeiramente na semana. Esta sexta-feira, subiu 0,7% para 7.489,8 pontos. O industrial Dow Jones ganhou 0,32% no mês, 0,6% na semana e 0,53% na sessão de hoje para 52.485,74 pontos. Por fim, o tecnológico Nasdaq Composite foi o mais volátil: tombou 3,2% no mês, ganhou 0,55% na semana e esta sexta-feira saltou 1% para 25.373,85 pontos. 


As ações das fabricantes de “chips” subiram no final do seu pior mês desde 2008. A Amazon disparou 15,32% com o forte crescimento do segmento da “cloud”.


A Apple não teve tanta sorte, e acabou por tombar 7,35%, com as perspetivas menos animadores para as vendas no resto do ano. 


“Os resultados financeiros foram muito fortes mais uma vez. Uma incógnita, porém, é a sazonalidade”, dizem os mesmos estrategas, isto porque aproxima-se agora, historicamente, um mês mais fraco para as bolsas – e a situação só se agrava em setembro, acrescentam.


“A volatilidade recente parece mais um evento de posicionamento do que o início de uma deterioração na história da IA, embora o grau de alavancagem no setor atue como um multiplicador para o movimento”, disse Mark Hackett, da Nationwide.


Entretanto, os investidores estão a virar as atenções para os riscos macroeconómicos dos EUA. Três membros da Reserva Federal que discordaram da decisão de quarta-feira, em que o banco central manteve as taxas de juro, alertaram que esperar demasiado tempo para agir contra a inflação pode acarretar a necessidade de uma política monetária ainda mais agressiva no futuro.


“O impulso para o dólar proveniente da resiliente atividade económica dos EUA é ultrapassado pela incapacidade do presidente da Fed, Kevin Warsh, de transformar a retórica rígida contra a inflação numa política credível, aumentando o risco de a Fed ficar para trás no controlo da inflação”, disse Elias Haddad, da Brown Brothers Harriman & Co, à Bloomberg.