Estado contabiliza 986 mortes desde 2000; diagnóstico precoce amplia chances de cura

Mato Grosso do Sul soma mais de 10 mil casos de hepatites viraisDados mais recentes do Ministério da Saúde, referentes ao período de 2000 a 2024, apontam mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais no Brasil. (Foto: Sarah Pflug/Burst shopify)

Mato Grosso do Sul registrou 10.199 casos de hepatites virais e 986 mortes provocadas pela doença entre 2000 e 2024. Os dados reforçam a importância do diagnóstico precoce, já que as infecções podem permanecer silenciosas por anos, comprometendo o fígado e evoluindo para cirrose, câncer hepático e, em situações mais graves, levar à necessidade de transplante.

As hepatites virais são doenças infecciosas que, em muitos casos, não apresentam sintomas durante longos períodos. Enquanto a pessoa mantém sua rotina normalmente, o vírus pode causar danos progressivos ao fígado, tornando o diagnóstico tardio um dos principais desafios para o controle da enfermidade.

Dados mais recentes do Ministério da Saúde, referentes ao período de 2000 a 2024, apontam mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais no Brasil. A hepatite C responde por 342.328 notificações (41,5%), seguida pela hepatite B, com 302.351 registros (36,6%), e pela hepatite A, com 174.977 casos (21,2%). As hepatites D e E representam menos de 1% das notificações.

A maior preocupação das autoridades de saúde concentra-se nas hepatites B e C, que podem se tornar crônicas e evoluir de forma silenciosa durante anos, aumentando significativamente o risco de cirrose e câncer no fígado.

Em Mato Grosso do Sul, a hepatite A lidera o número de notificações entre 2000 e 2024, cenário que reforça a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e às ações de prevenção.

Com o objetivo de aumentar a identificação de novos casos, o Ministério da Saúde intensificou a distribuição de testes rápidos. Até maio de 2026, Mato Grosso do Sul recebeu 60 mil testes para hepatite C.

Diagnóstico precoce

“O aumento na distribuição de testes rápidos é um passo decisivo para mudar esse cenário. Quanto mais pessoas puderem fazer o exame, maiores serão as chances de descobrir a infecção antes que o fígado apresente danos irreversíveis. É importante que a população saiba que o teste está disponível gratuitamente no SUS. E caso a pessoa sinta qualquer um destes sintomas, como fadiga, febre, indisposição, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura e fezes claras, deve procurar um médico. O diagnóstico precoce ajuda na cura”, alerta a infectologista e consultora para Organização Nacional de Acreditação (ONA), Cláudia Vidal.

Formas de transmissão

A forma de transmissão varia conforme o tipo de hepatite. A hepatite A é adquirida principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados, especialmente em locais com deficiência de saneamento básico.

As hepatites B e D podem ser transmitidas por contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.

Já a hepatite C tem como principal via de transmissão o contato com sangue infectado, seja pelo compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear e alicates de unha, seja pela utilização de materiais não esterilizados em procedimentos como tatuagens e colocação de piercings.

Embora apresentem diferentes formas de transmissão, a prevenção depende de medidas simples e eficazes.

“A vacinação, o uso de preservativos, o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e os cuidados com higiene e saneamento são estratégias fundamentais para reduzir novos casos. A informação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção”, afirma a Dra. Cláudia.

Cenário mundial

O enfrentamento das hepatites virais continua sendo um desafio global. De acordo com o Global Hepatitis Report 2026, da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em 2024 em consequência das hepatites B e C, responsáveis por mais de 95% dos óbitos relacionados à doença em todo o mundo.

A entidade alerta que o ritmo atual de prevenção, diagnóstico e tratamento ainda é insuficiente para eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.