A UEFA saudou a decisão de retirar o projeto e agradeceu às ligas, clubes, jogadores, associações e confederações que se manifestaram contra a iniciativa. Ainda assim, defendeu que o episódio deve ter consequências, apelando à identificação dos responsáveis e criticando o recurso a “planos secretos” preparados sem consulta alargada aos organismos do futebol.
O plano abandonado por Infantino, recorde-se, previa a criação de uma nova empresa para gerir ativos comerciais ligados ao próximo Campeonato do Mundo – a ser realizado em Espanha, Marrocos e Portugal – e a venda de mais de 20% dessa estrutura a investidores privados.
A proposta desencadeou uma onda de contestação internacional, levando a UEFA a admitir um boicote às competições organizadas pela FIFA, posição que acabou por receber o apoio também da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e da CONCACAF.
Apesar do recuo, o futuro de Gianni Infantino permanece envolto em incerteza. O presidente da FIFA enfrenta eleições em março do próximo ano e a contestação provocada pelo projeto abriu, pela primeira vez em vários anos, dúvidas públicas sobre a continuidade da sua liderança à frente do organismo que rege o futebol mundial.
O desgaste de Infantino, recorde-se, vem-se acumulando desde o Mundial disputado nos EUA, México e Canadá no último mês. Antes e durante o torneio, o dirigente somou controvérsias que colocaram em causa a isenção da FIFA – a começar pela atribuição de um “Prémio da Paz” a Donald Trump no ano passado e a anulação de um cartão vermelho ao norte-americano Folarin Balogun durante este Mundial.
A estes episódios somou-se a gestão do caso da seleção do Irão. Devido a restrições de entrada em meio ao conflito no país, os atletas iranianos foram proibidos de pernoitar em solo norte-americano, sendo forçados a deslocar-se a partir do México para disputar as partidas nos EUA, antes de serem eliminados na fase de grupos.