Desde que o assistente digital ChatGPT apareceu, em 2022, que as empresas de tecnologia entraram numa verdadeira corrida pelo domínio da inteligência artificial. E não têm olhado a meios – sobretudo financeiros – para garantir que estão à frente neste duelo.


Google, Meta, Microsoft e Amazon têm aumentado de forma significativa os gastos e as projeções de despesas com a inteligência artificial. Já as startups de referência da área, como a OpenAI e a Anthropic, estão a investir massivamente em centros de dados e novas contratações. Os números falam por si.


Só a Alphabet, dona da Google, antecipa gastar 200 mil milhões de dólares em investimentos relacionados com inteligência artificial só no ano de 2026. A empresa já tem também mais de 800 mil milhões de dólares em despesas futuras já contratualizadas… Um valor duas vezes superior ao Produto Interno Bruto Português.


As rivais não lhe ficam atrás. A Meta prevê gastar até 145 mil milhões este ano, a Microsoft vai investir 175 milhões e a Amazon está disposta a investir 200 mil milhões.


Esta guerra de milhões é igualmente impressionante se considerarmos também os gastos que estão a ser feitos pelas startups da área. A OpenAI tenciona gastar 750 mil milhões de dólares, sobretudo em centros de dados, até 2030. E os acordos já feitos pela Anthropic também ascendem a centenas de milhares de milhões de dólares nos próximos quatro anos.


Mas para onde vai, afinal, este dinheiro?


A maior parte está a ser canalizado para a infraestrutura: chips topo de gama e construção de centros de dados. Os modelos mais avançados de inteligência artificial precisam de uma elevada capacidade de computação… Tanto para serem treinados, como para depois serem usados. Centros de dados que, por sua vez, fazem aumentar significativamente as despesas das empresas com… eletricidade e outras fontes de energia.


Estima-se que desenvolver um novo modelo de referência possa custar perto de mil milhões de dólares só em capacidade de computação. E com cada vez mais utilizadores a tirarem partido destas ferramentas, as tecnológicas precisam de cada vez mais recursos para responder aos pedidos dos utilizadores. O ChatGPT, por exemplo, já tem mais de 700 milhões de utilizadores a nível global.


Além de uma corrida tecnológica, existe também uma corrida aos profissionais da área. Os melhores chegam a ganhar mais de um milhão de euros por ano e são cobiçados pelas maiores empresas do mundo. Por exemplo, a Meta gastou perto de 15 mil milhões de dólares no ano passado para garantir que o fundador e a equipa da startup ScaleAI passavam a fazer parte da unidade de inteligência artificial da dona do Facebook.


As grandes tecnológicas estão também a comprar elevados stocks de semicondutores, memórias e sistemas de armazenamento. O objetivo é garantir o máximo de componentes possíveis para evitar uma possível escassez de equipamentos devido à grande procura por ferramentas de IA.


Se os grandes gastos em inteligência artificial são sinónimo de força e liderança entre as tecnológicas, estão ao mesmo tempo a deixar os investidores nervosos. Muitos têm questionado se e quando estes avultados investimentos vão ter retorno. Preocupações que já têm levado a quedas expressivas nas ações das empresas e nos índices no geral. Só o índice de referência da Coreia do Sul perdeu 21% numa semana de negociação.


A inteligência artificial veio para ficar. Resta saber quem vai pagar a fatura.