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“De poeta, todos têm um pouco […] se não o é na adolescência, com certeza sê-lo-á na senescência” (“Tempos de Poeta”). Dito e feito. Aos 71 anos, Eduardo Albuquerque estreia na literatura com um livro de poesia pela editora EHS.
O lançamento acontece na quarta-feira, 3 de setembro, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), nas Graças, Zona Norte do Recife.
Intitulado “Poesiarana”, o nome remete a “Sagarana”, o primeiro livro de contos de Guimarães Rosa, que mistura as palavras “saga” de origem portuguesa que denota histórias narradas em prosa e “rana”, uma palavra tupi que significa semelhante.
“A coisa mais difícil é você escolher o nome de sua obra, eu mesmo pensei em 20 nomes. Porque normalmente as pessoas pegam uma poesia aleatória ou preferida dentro do livro e deixam como título. Eu queria fazer algo diferente, então decidi misturar o português e o tupi”, conta Albuquerque, em entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco.
Inspiração
O livro traz poemas sobre sua infância em Pedro II, na Serra dos Matões, Piauí, sobre figuras históricas, artes, nostalgia, entre outros temas. A maioria deles em soneto, uma forma simples de fazer poesia, mas eficaz.
“Não tem nada de rebuscamento e não tem nada demais [na métrica], mas é bom quando é assim, né? Eu dou uma viagem em qualquer assunto que me inspire na hora e ela surge assim naturalmente”, explica Eduardo Albuquerque.
Albuquerque se mudou para Pernambuco em 1973 para estudar Economia, curso que não era ofertado por nenhuma faculdade na sua cidade natal. Se apaixonou pelo Recife, conseguiu um emprego na Caixa Econômica Federal, onde trabalhou por 37 anos, e mora aqui desde então. Ele diz acreditar que a poesia sempre esteve dentro dele.
“Eu estou aposentado e não fazendo nada, aí o cara endoida. Tem esse dizer bem popular que vai assim: ‘de poeta e louco todos temos um pouco’. Você pode, às vezes, exalar ou não, você pode escrever ou não, mas tem dentro de si os dois”, completa o escritor poeta.
Capa do livro “Poesiarana”, de Eduardo Albuquerque | Arthur Botelho/Folha de Pernambuco
Escritos
O autor escreve semanalmente, aos domingos, para o jornal digital recifense “O Poder”. Alguns dos poemas do livro foram inclusive publicados pela primeira vez dentro do portal de notícias no suplemento cultural chamado “Findi”.
“Embora eu já tenha publicado mais de 50 vezes no jornal e tenha 25 poemas em antologias diversas de outras coletâneas, eu não paro de escrever. Às vezes, eu escrevo duas ou três poesias no dia quando eu estou solto. Então, não vai demorar para sair o próximo trabalho. Eu tenho o suficiente já para uma continuação, em torno de 200 poesias que eu até queria publicar dentro do “Poesiarana”, mas o editor disse que tem que ser devagar, se não o livro fica muito grande, não vende. E eu lá quero saber de vendas? Mas ele me convenceu porque, na realidade, você não faz poema para você. Você vai publicar para alguém ler e gostar”, confirma Eduardo Albuquerque.
SERVIÇO
Lançamento do livro “Poesiarana”, de Eduardo Albuquerque
Quando: 3 de setembro, às 20h
Onde: Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) – Av. Dr. Malaquias, 204, Graças
Entrada gratuita
Preço do livro: R$ 59
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