O governo de Itália planeia alienar a sua participação remanescente no Monte dei Paschi di Siena até ao final de setembro, antes de a oferta pública de aquisição do Intesa Sanpaolo sobre a instituição de crédito entrar numa fase crucial, segundo noticiou o jornal La Stampa.
O Ministério das Finanças, que ainda detém 4,9% do Monte Paschi, pretende manter uma postura neutra e evitar dar a impressão de que está a tomar partido na oferta, noticiou o jornal este domingo, citando um responsável do ministério que não identificou.
O ministro das Finanças, Giancarlo Giorgetti, afirmou em junho que um procedimento acelerado de “bookbuilding” é a melhor forma de vender a participação e reiterou que o governo é uma parte “neutra” no processo de consolidação bancária em curso.
As hipóteses do Intesa Sanpaolo concretizar a sua oferta de aquisição de 30 mil milhões de euros aumentaram depois de o Banco BPM ter desistido, na sexta-feira à noite, dos seus esforços para concretizar uma fusão entre iguais com o Paschi, sediado em Siena, alegando que as condições para uma transação mutuamente acordada não se concretizaram. O Intesa deverá realizar uma assembleia de acionistas para aprovar um aumento de capital para a operação do Paschi no dia 10 de setembro.
A saída de cena do Banco BPM ocorreu poucas horas após uma intervenção do Crédit Agricole, seu maior acionista. “Nada pode ser feito contra nós ou sem nós”, afirmou Jerome Grivet, vice-presidente executivo do Crédit Agricole, numa conference call na sexta-feira. Um cenário preferível para o Crédit Agricole seria uma fusão entre o Banco BPM e o Crédit Agricole Italia, afirmou também Clotilde L’Angevin, vice-diretora-geral do banco francês, na “conference call” sobre os resultados, na sexta-feira.
Enquanto o diretor executivo do Monte Paschi, Luigi Lovaglio, pondera o próximo passo, Itália aguarda para ver o que o Credit Agricole fará a seguir. O governo de Giorgia Meloni bloqueou no ano passado uma oferta da UniCredit pelo Banco BPM, recorrendo ao seu poder de veto em transações que envolvam ativos estratégicos.