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O montanhista nepalês Nirmal Purja

A avalanche no Broad Peak matou pelo menos 4 alpinistas e deixou outros 6 desaparecidos, numa operação de resgate dificultada pelo risco de novos deslizamentos. Entre as vítimas está Purja, o nepalês que em 2019 escalou as 14 montanhas com mais de 8.000 metros em pouco mais de seis meses.

Foi confirmada a morte do célebre alpinista nepalês Nirmal Purja, que ao longo dos últimos anos fez história ao escalar algumas das montanhas mais altas do mundo. Purja morreu depois de uma avalanche ter atingido a sua expedição no Paquistão, no início desta semana.

Purja “perdeu tragicamente a vida” na sequência da avalanche na cordilheira do Caracórum, segundo uma publicação feita este sábado nas redes sociais pela Nimsdai Foundation, que fundou em 2022.

“Hoje, não choramos apenas a morte de Nims, mas todas as vidas perdidas nesta tragédia, incluindo os seus companheiros de escalada e guias de confiança”, lê-se na publicação do Instagram.

“O seu legado viverá nas inúmeras vidas que mudou e nas pessoas que inspirou a escalar as suas próprias montanhas”, acrescentou a fundação.

O alpinista, de 43 anos, estava entre os dez membros da expedição que desapareceram na quinta-feira.

Segundo se crê, encontravam-se no Broad Peak, uma montanha com 8.047 metros de altitude, no norte do Paquistão, quando foram atingidos por uma avalanche por volta do meio-dia, hora local.

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Foi confirmada a morte de pelo menos quatro pessoas, incluindo Purja, a alpinista omanense Nadhira Al Harthy, o nepalês Pur Bahadur Gurung, conhecido como “Yukta”, e a norte-americana Sarah Mallory Geis.

A fundação de Purja afirmou que “outros membros da expedição também não sobreviveram”, sem fornecer mais informações. As autoridades ainda não confirmaram esses dados.

Prosseguem as operações de busca e recuperação dos seis alpinistas restantes. No início deste sábado, elementos das equipas de emergência disseram à CNN recear que uma nova avalanche pudesse dificultar a operação.

Uma alpinista paquistanesa alertou que as hipóteses de sobrevivência dos restantes membros da expedição “são agora muito reduzidas”.

“As montanhas do Paquistão são muito diferentes das do Nepal”, disse este sábado à BBC Naila Kiani, porta-voz do Clube Alpino do Paquistão.

“Algumas dessas zonas continuam sujeitas a avalanches, pelo que a nossa equipa de resgate tem de avaliar com muito cuidado se está a colocar a própria vida em risco”, acrescentou.

Purja, antigo militar britânico, projetou o alpinismo à escala mundial ao bater sucessivamente recordes de resistência. Em 2019, fez história ao escalar, em pouco mais de seis meses, as 14 montanhas do mundo com mais de 8.000 metros, conhecidas como as “oito-mil”.

Kiani, que já escalou com Purja, descreveu-o como alguém “absolutamente destemido” e afirmou que “tornava possível o impossível”.

Numa entrevista concedida à CNN em 2019, Purja explicou que queria aproveitar a sua visibilidade pública para dar o devido reconhecimento às capacidades dos sherpas nepaleses.

“Embora fossem alpinistas de topo, não recebiam o devido reconhecimento”, afirmou. “Esperava poder contribuir para que os seus nomes fossem mais valorizados.”

Al Harthy, a alpinista omanense que morreu na quinta-feira, também já tinha falado à CNN sobre a ambição de escalar uma das montanhas com mais de 8.000 metros. Usou a sua notoriedade para inspirar outras mulheres e raparigas muçulmanas, incluindo as suas 32 sobrinhas, a praticarem desportos de resistência.

“A nossa fé ajuda-nos a levantar de novo. Dá-nos força, dá-nos poder”, afirmou Al Harthy em 2021. “As minhas sobrinhas são muito fortes e defendem os seus direitos”, acrescentou. “Todas as manhãs acordo e digo: ‘Alhamdulillah, graças a Deus por estar aqui’.”