‘His Majesty’s Armed Forces’ vão usar drone português que já conta com mais de 50 mil horas de voo a apoiar as forças ucranianas na luta contra a Rússia.

O exército de Sua Majestade Carlos III do Reino Unido vai usar um drone português. O AR5 da Tekever serviu de base para o Corvus, que vai aumentar a capacidade de vigilância das forças armadas britânicas, com o contrato a valer 400 milhões de libras (466 milhões de euros) durante cinco anos, com possibilidade de extensão.

O drone nacional “oferece uma autonomia, capacidade de sensores e fiabilidade significativamente melhoradas, transportando até 50 quilos de carga útil de vigilância, incluindo câmaras e sensores. O sistema proporcionará vigilância e reconhecimento contínuos através da recolha de informações 24 horas por dia, fornecendo dados em tempo real para apoiar a tomada de decisões na linha da frente e ajudar a proteger as forças britânicas”, segundo a Tekever.

No dia em que se conheceu o contrato, a Rússia revelou que abateu um “raro” drone português na fronteira com a Ucrânia depois de uma “desafiante” perseguição de meia hora.

Os russos confessaram mesmo ter ficado surpreendidos com a engenharia lusa em ação: “Nunca vimos nada assim”, afirmou um comandante das forças armadas do regime de Vladimir Putin.

A notícia foi revelada pela agência russa TASS que adiantou que especialistas de um instituto de investigação vão agora estudar o “seu design, especificações técnicas e soluções de engenharia”. Como em tudo no regime de Vladimir Putin, não há coincidências entre o timing entre o ‘take’ da agência estatal russa e a notícia do contrato com as forças armadas britânicas, no que poderá ser uma tentativa de Moscovo de tentar criar ruído, pois os drones portugueses são usados na Ucrânia via forças armadas britânicas.

No contrato britânico, a produção vai ter lugar nas novas instalações da Tekever no Reino Unido em Swindon, que também desenvolve engenharia em Bristol e Southampton, assim como atividades de formação, ensaio e avaliação em no País de Gales.

A companhia lusa recorda a sua experiência operacional na Ucrânia, onde os seus drones já realizaram mais de 50 mil horas de voo operacional desde o início da invasão do país pela Rússia desde 2022.

“A Tekever foi criada com base na convicção de que a vantagem operacional depende da adaptação contínua. O CORVUS confirma essa visão, ao reunir experiência operacional, autonomia baseada em IA e capacidade industrial soberana num programa concebido para evoluir ao longo de toda a sua vida útil. Acreditamos que é assim que se alcançará uma vantagem operacional duradoura”, disse o presidente da empresa Ricardo Mendes.

Já Wes Streeting, secretário da Defesa do Reino Unido, deixou elogios ao drone nacional: “Comprovado na Ucrânia e concebido para proteger os soldados britânicos em todo o mundo, escolhemos o drone TEKEVER AR5, fabricado no Reino Unido, para equipar o nosso pessoal com material que os manterá à frente das ameaças emergentes. Este investimento apoiará as nossas tropas em missão, ao mesmo tempo que impulsiona a reindustrialização e apoia a inovação britânica”.

“Nunca vimos nada assim”. Rússia abate drone português e agora vai analisá-lo

As forças armadas russas intercetaram um drone português e agora vão dedicar-se a analisá-lo.

Os russos confessaram mesmo ter ficado surpreendidos com a engenharia lusa em ação: “Nunca vimos nada assim”, afirmou um comandante das forças armadas do regime de Vladimir Putin.

A notícia foi revelada pela agência russa TASS que adiantou que especialistas de um instituto de investigação vão estudar o “seu design, especificações técnicas e soluções de engenharia”.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia em 2022 que a portuguesa Tekever tem colaborado com as forças ucranianas para fornecer drones.

A colaboração estreita com as forças armadas de Kiev, tem servido para a Tekever melhorar os seus drones, contando com uma experiência acumulada em quatro anos num cenário real de guerra.

O batalhão russo anti-drones intercetou um “raro” drone de reconhecimento AR3 da fabricante portuguesa Tekever, na região de Bryansk, na Rússia, na fronteira com a Ucrânia.

Para intercetar o drone, foi uma “tarefa desafiante”, segundo a TASS citando os operacionais. “Após deteção de radar, teve lugar uma perseguição de quase meia hora. O drone estava a voar a uma altitude de quase 2,5km, e a uma velocidade de 90-100 km/h, impedido de nos aproximarmos Na abordagem final, com a bateria do Lis em baixo, mas os operadores conseguiram apanhar e destruir o drone de reconhecimento português”.

Segundo a agência, o drone (ou UAV) permanece inteiro, apesar de o motor ter sido danificado.

“Um drone inimigo de reconhecimento voou para o nosso setor. Ficámos surpresos porque nunca vimos nada assim. O drone tem estruturas diferentes de cauda e asa. Quando chegámos ao local da queda, descobrimos que é um drone português de reconhecimento. É importante abater UAV de reconhecimento porque estabelecem rotas de voo [para os drones de ataque]. Em segundo, estão à procura das nossas posições para nos atacar”, segundo o comandante com o nome de código Prizrak.

Um técnico com o nome de Chita deixou elogios ao drone russo de interceção, o Lis, que aproxima-se dos seus alvos o mais possível para detonar um explosivo de 1 kg para os destruir. “É fácil de operar”, resume a TASS.

Drones portugueses lançam ofensiva em França e Inglaterra

Foi a bordo dos caças Spitfire que a Inglaterra conseguiu travar a ofensiva aérea nazi sobre o país. O mítico avião da Royal Air Force (RAF) ficou para a história como o fiel guardião dos céus britânicos durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas o mundo mudou completamente nos últimos 80 anos: na guerra, a ficção científica já está entre nós. Os drones já são uma realidade nos campos de batalha em todo o mundo. Estes aviões não-tripulados são comandados à distância e têm capacidades ofensivas e defensivas.

Oferecem inúmeras vantagens aos exércitos, incluindo risco reduzido para soldados, monitorização em tempo real do campo de batalha ou redução de custos.

É neste mundo novo que surgem os portugueses da Tekever. Fundada em 2001 por alunos do Instituto Superior Técnico, a aposta nos drones teve lugar a partir de 2010 quando foi identificado o grande potencial deste mercado.

Em 2025, atingiu o estatuto de estrela, tornando-se no sétimo unicórnio português, o termo usado para as empresas avaliadas em mais de mil milhões de euros, sendo a primeira ‘deftech’ nacional a atingir esta marca, isto é, a primeira companhia tecnológica da área de defesa.

A Ucrânia foi o grande palco que permitiu o teste e desenvolvimento destas soluções, após a invasão russa em 2022.

Na linha da frente está a portuguesa Tekever, que tem em marcha um ambicioso plano de investimentos de 560 milhões de euros em novas fábricas no Reino Unido e em França.

Em Inglaterra, a companhia prevê abrir uma fábrica em Swindon este ano, 130km a oeste de Londres. “É o nosso maior projeto no Reino Unido até à data. Um centro de excelência, com mais de 23 mil m2 no icónico edifício Spectrum, cobrindo todo o ciclo desde a investigação&desenvolvimento (I&D) à produção industrial”, disse fonte oficial da empresa ao JE.

Este investimento faz parte do programa ‘Overmatch’ que implica um investimento de 400 milhões de libras (460 milhões de euros) em cinco anos, com a riação de mil postos de trabalho qualificados.

O objetivo é “trazer o fabrico do “core” do AR5 para solo britânico e escalar a produção do AR3, garantindo uma cadeia de fornecimento mais robusta”.

O AR5 tem a capacidade para transportar 50 kg, com 20 horas de autonomia, capaz de atingir 100 km/h. Já o AR3 consegue transportar 4kg, com uma autonomia entre 8 a 16 horas, e velocidade de cruzeiro entre 75-90 km/h.

Do outro lado do canal da Mancha, a aposta é na abertura de uma fábrica em França, em Cahors, a 230km a leste de Bordéus, no sul do país.

Aqui, a operação “está prestes a arrancar e a produção deverá iniciar-se antes do verão deste ano”, num investimento de 100 milhões de euros estando prevista a contratação de 100 profissionais qualificados.

“A unidade terá dois focos: a produção de sistemas de drones e o laboratório de I&D ligado ao Espaço. Por um lado, temos a montagem, integração e testes dos modelos AR3 e AR5”, segundo a companhia.

O outro foco é “todo o suporte para contratos como o assinado com as autoridades francesas para a construção do primeiro satélite SAR soberano francês – a Tekever France faz parte do consórcio com a Loft Orbital e a Thales Alenia Space”.

A invasão da Ucrânia foi um momento definidor para a Tekever, com as exportações de drones para este país a dispararem. Em 2021, o valor era residual, tendo disparado para os 33,3 milhões de euros em 2024, segundo os dados do INE, sendo a principal exportação nacional para este país, com as vendas para as Forças Armadas ucranianas.

Depois de ter aberto um escritório em Kyiv em 2025, a Tekever tem agora como foco “localizar soluções tecnológicas através de parcerias com fabricantes ucranianos e reforçar as equipas de engenharia e manutenção”.