Quem passa rapidamente pela nova ala do Nemours Children’s Health, hospital pediátrico em Delaware, nos EUA, pode até pensar que está diante de um quarto de hotel.
Mas o espaço abriga a nova Unidade de Parto Prematuro, dedicada ao atendimento de gestantes de alto risco durante um processo que costuma ser longo, complexo e cercado de incertezas.
Em vez da aparência fria e impessoal típica de enfermarias obstétricas, o ambiente foi concebido para lembrar um hotel boutique voltado ao bem-estar dos hóspedes. Para um local voltado ao cuidado com a saúde, trata-se de um nível incomum (e muito necessário) de hospitalidade.
“As pessoas imaginam esses cenários de pior caso e pensam: ‘vou acabar em uma UTI assustadora, em um ambiente que parece um laboratório'”, afirma a especialista em medicina materno-fetal Julie Moldenhauer. Segundo ela, o hospital quis romper essa expectativa ao criar um espaço que funciona como “um lar longe de casa”.
Moldenhauer e sua equipe trabalharam em parceria com o escritório de arquitetura Perkins&Will para desenvolver um projeto que reduz o estresse e a ansiedade associados às gestações de alto risco e acomoda semanas ou meses de cuidados necessários para mães e bebês antes e depois do parto.
“Não é como entrar no hospital, dar à luz e ir embora dois dias depois”, explica Laura Ethridge Morris, líder do projeto e especialista em interiores hospitalares da Perkins&Will. “Na prática, você está se mudando para lá.”
UM PROJETO PENSADO PRIMEIRO PARA A FAMÍLIA
A unidade atende fetos diagnosticados com anomalias que aumentam o risco de malformações, doenças congênitas ou até morte. Para amenizar o impacto emocional desse período, foram incorporados conceitos típicos da hotelaria.
Os quartos contam com elementos comuns em hotéis, como banheiros espaçosos, obras de arte nas paredes e grandes janelas com vista para a propriedade histórica do Nemours, construída pela família du Pont no início do século 20.
Também há armários e prateleiras para armazenar alimentos e objetos pessoais durante as longas internações.

As áreas comuns foram projetadas para que familiares possam descansar, fazer refeições ou até trabalhar. Há mesas, cabines privativas para ligações e espaços de convivência voltados para os jardins da propriedade.
A unidade também dispõe de cozinhas compartilhadas amplas o suficiente para receber jantares em família, chás de bebê e outras reuniões, evitando que esses momentos aconteçam dentro dos quartos hospitalares.
“É praticamente um espaço multifuncional para pacientes e familiares usarem durante a internação, algo impensável em unidades convencionais de parto”, afirma Moldenhauer.
PRIVACIDADE SEM COMPROMETER O ATENDIMENTO
Apesar da atmosfera acolhedora, a unidade continua sendo um ambiente altamente especializado, onde médicos e enfermeiros entram e saem constantemente. O desafio foi tornar essa movimentação o menos invasiva possível.
Cada quarto conta com uma área de trabalho da equipe médica posicionada ao lado da porta e separada do restante do ambiente, permitindo que os profissionais realizem suas atividades sem interferir no descanso da paciente.
“Era muito importante que a equipe estivesse ao lado da paciente, mas sem parecer que estava ocupando o espaço da família”, explica Morris. Assim, os profissionais podem trabalhar com a iluminação acesa sem atrapalhar o sono da gestante.
Crédito: Halkin Mason/ Perkins&Will
O projeto também levou em conta o fato de que pacientes de alto risco podem entrar em trabalho de parto em qualquer lugar da unidade.
“Por isso, todos os espaços, inclusive salas de convivência e áreas de descanso, receberam infraestrutura para que, se o parto começar ali mesmo e não houver tempo para levá-las até um quarto, possamos levar imediatamente todos os equipamentos necessários.”
É um nível incomum de preparação, mas compatível com a imprevisibilidade dessas gestações.
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Embora toda a unidade tenha sido planejada para responder rapidamente a emergências médicas, tanto os médicos quanto os arquitetos fizeram questão de que a experiência das pacientes fosse acolhedora e tranquila.
Para Moldenhauer, o modelo desenvolvido pelo hospital pode servir de inspiração para outras maternidades. “É possível criar um ambiente preparado para atender às necessidades médicas sem deixar de ser acolhedor e convidativo ao mesmo tempo.”
SOBRE O AUTOR
Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais
