
Jack morreu três dias depois de ter deixado o tabaco sem ajustar medicação. Médica alerta para falha no sistema de psiquiatria.
Um homem de 29 anos morreu depois de os níveis do antipsicótico que tomava se terem tornado tóxicos, na sequência de ter deixado de fumar durante três dias sem reduzir a dose do medicamento.
Jack Burton, residente em Worcester, no Reino Unido, tinha sido diagnosticado com esquizofrenia e tomava diariamente clozapina, prescrita pelo psiquiatra que o acompanhava. Por ser considerado um fumador intenso, precisava de uma dose mais elevada do fármaco, uma vez que o fumo do tabaco faz com que o fígado processe alguns medicamentos mais rapidamente.
Burton tomava 525 miligramas de clozapina todas as noites. Em outubro de 2025, durante umas férias em North Yorkshire, decidiu deixar de fumar, mas não informou o médico nem reduziu a dose do medicamento.
Após três dias sem cigarros, o organismo deixou de metabolizar a clozapina com a mesma rapidez. A dose habitual, que já seria perigosa para uma pessoa não fumadora, tornou-se excessiva e provocou um aumento fatal da concentração do fármaco no sangue.
Durante o inquérito à morte, o tribunal ouviu que Burton deveria ter informado o psiquiatra da intenção de abandonar o tabaco, para que a medicação fosse ajustada. Níveis demasiado elevados de clozapina podem provocar efeitos adversos graves, incluindo convulsões.
Não há prática prevista para questionar doentes
O caso chocante levou Deborah Lakin, médica legista assistente de Worcestershire, a emitir um relatório destinado a prevenir futuras mortes.
A responsável alertou para a falta de orientações claras e uniformes dirigidas aos profissionais de saúde sobre a relação entre alterações nos hábitos tabágicos e a dosagem de certos medicamentos.
Segundo a médica legista, os depoimentos de dois psiquiatras foram contraditórios quanto à importância de uma redução do consumo de cigarros, por oposição à cessação total. A divergência , segundo a médica, citada pelo The Telegraph, terá resultado da inexistência de recomendações específicas disponíveis para os médicos.
O inquérito também não conseguiu determinar se Jack Burton tinha sido questionado sobre mudanças no consumo de tabaco ou se recebeu informação adequada sobre os riscos. A médica lembrou que não existe uma prática normalizada para perguntar aos doentes sobre eventuais efeitos secundários e registar as respetivas respostas.