The Clatterbridge Cancer Centre

A paciente Chris Jones a ser vacinada, acompanhada pelo oncologista Carles Escriu (à esquerda).

Novo tratamento mapeia o ADN do cancro e depois cria-se uma vacina com ADN sintético, em vez de bacteriano.

Uma mulher de 68 anos tornou-se a primeira pessoa no mundo a receber uma nova vacina personalizada contra o cancro do pulmão.

Chris Jones, de Hoylake, na região de Merseyside, tem cancro do pulmão de não pequenas células em estado avançado, o tipo mais comum da doença, responsável por mais de 80% dos casos. Participa num ensaio clínico de fase inicial no Clatterbridge Cancer Centre, em Liverpool.

Os médicos esperam que o tratamento, ainda em fase experimental, consiga aumentar a eficácia da imunoterapia em doentes com formas avançadas da doença como é o caso de Chris. A imunoterapia permitiu obter alguma resposta, mas não foi suficientemente eficaz.

Segundo Carles Escriu, oncologista envolvido no estudo, citado pela BBC, este é um problema que afeta cerca de metade dos doentes tratados: o tumor responde inicialmente, mas acaba por desenvolver resistência.

O objetivo da vacina é reforçar o sistema imunitário e ajudá-lo a reconhecer e atacar células tumorais que antes conseguiam escapar às defesas do organismo. Os investigadores analisaram primeiro uma amostra retirada do tumor de Chris e mapearam o ADN específico do cancro. Com essa informação, criaram uma vacina individualizada, produzida a partir de ADN sintético. Este material, conhecido como “doggybone”, devido à sua forma invulgar, poderá ser fabricado de forma mais rápida e económica do que o ADN bacteriano habitualmente usado.

O tratamento é administrado sem agulha, através de uma injeção em cada braço, antes da infusão habitual de imunoterapia.

Chris deverá receber sete doses ao longo de 24 semanas. Apenas dez pessoas vão participar nesta primeira fase do ensaio, que procura sobretudo avaliar a segurança e a resposta ao tratamento. A britânica decidiu participar na esperança de prolongar a vida e de ajudar futuros doentes, mas especialmente porque a filha mais velha morreu há quase dez anos, vítima de um cancro da mama secundário. Dentro de seis semanas, a mulher de 68 anos fará novos exames para avaliar se o tumor diminuiu.