Na segunda-feira, as forças armadas russas abateram um “raro” drone de reconhecimento fabricado pela empresa portuguesa Tekever. O aparelho foi imediatamente transferido para um instituto de investigação, mas a empresa, embora se recuse a “comentar missões específicas dos seus clientes”, não se mostra preocupada com um eventual fuga de informação sobre o design, especificações técnicas ou soluções de engenharias dos seus produtos.
“O que distingue a Tekever não é o estado da tecnologia num dado momento, mas a velocidade a que a fazemos evoluir. Os nossos sistemas são atualizados de forma contínua, em ciclos de semanas, em função dos requisitos de missão e da evolução do contexto operacional“, afirma fonte oficial da empresa, numa nota de imprensa, acrescentando que uma “análise detalhada de um sistema Tekever hoje não é um bom indicador das suas capacidades amanhã”.
A empresa refere ainda que a “proteção de informação crítica é um requisito de desenho, implementado em múltiplas camadas do sistema” e que os sistemas da Tekever são desenhados para operarem “no ambiente mais contestado do mundo, em teatros com guerra eletrónica intensa e defesa aérea densa”. “O risco é inerente à natureza crítica destas missões, e é assim que desenhamos os nossos sistemas — assumindo que operam sob ameaça permanente”, diz ainda a mesma fonte.
De acordo com a agência de notícias russa oficial, a Tass, o drone intercetado foi um Tekever AR3. As forças militares russas afirmaram ao meio de comunicação social que ficaram “surpreendidos” com a configuração do dispositivo, descrevendo ainda o seu abate e captura como “desafiante”. “Nunca tínhamos visto nada assim antes”, disse o comandante da tripulação.
O Tekever AR3 é utilizado para operações de longa duração, que podem chegar às 16 horas e possui um sistema em que o operador pode escolher qual configuração a usar para cada missão específica. A empresa portuguesa fornece drones à Ucrânia para apoiar operações terrestres e marítimas através do Fundo Internacional para a Ucrânia (IFU), liderado pelo Reino Unido.
Na mesma nota de imprensa, a Tekever realça ainda que a “capacidade da Europa para se defender depende de tecnologia europeia, desenvolvida, produzida e controlada na Europa“. “É essa a capacidade soberana que a Tekever está a construir, ao serviço da Ucrânia e dos seus parceiros europeus”, acrescenta.