Jorge Guerrero / AFP

Migrantes em rochas depois de atravessarem a nado as águas junto à fronteira com Marrocos para entrar no enclave espanhol de Ceuta

Número de mortos sobe para 79 nesta crise migratória. Meloni é de direita mas o problema não se fica pela disputa ideológica.

O número de mortos em Ceuta continua a aumentar, relacionado com a crise migratória dos últimos dias.

Estima-se que serão encontrados mais de 100 cadáveres. Para já, o Instituto de Medicina Legal de Ceuta anuncia a recepção de 79 corpos; 77 dessas pessoas morreram afogadas.

A União Europeia mostrou entretanto a sua “total solidariedade” com a Espanha, disse o comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner.

As declarações foram feitas depois de uma reunião de emergência dos ministros da Administração Interna da União Europeia. Os ministros concordaram que é preciso reforçar as fronteiras e os “mecanismos de regresso” de migrantes.

Porque, de facto, a Europa tem este “problema enorme” para resolver, que se chama “bomba humana”.

A descrição é feita na revista Veja. A especialista em assuntos internacionais Vilma Gryzinski começa por destacar a reacção de Itália: suspender o Acordo de Schengen com Espanha. Quem quiser entrar em Itália, proveniente de Espanha, tem de apresentar documento.

Mas esta questão não é só de direita (como Giorgia Meloni) ou de esquerda. É um “problema sistémico, que afecta todos os países europeus”, escreve Vilma.

Ficam críticas à “visão esquerdista” de Pedro Sánchez, “tão condescendente com a imigração clandestina”, e à decisão do Supremo Tribunal de Espanha, que anunciou que quem chega por mar de forma ilegal não pode ser devolvido imediatamente às autoridades de outro país. “É nadar e entrar”.

A especialista avisa que as “leis generosas” já não funcionam. Eram para os refugiados que fugiam de regimes comunistas apertados, ou de ditaduras na América Latina. Agora a escala é outra: com centenas de milhões de pessoas de África ou Ásia a tentar entrar em território europeu, já não dá.

Isto porque “nenhum país está preparado para absorver tanta gente” – e alguns, uma minoria, chegam com um “fundamentalismo” perigoso.

A nível político, os extremos podem ganhar pontos, nomeadamente a extrema-direita: “Os europeus não querem ver sucessivas ondas humanas a chegar aos seus países. E, se isso implicar votar em políticos que antes estavam nas margens do espectro democrático, farão isso. Ceuta ajuda a reforçar esse movimento”, finaliza Vilma Gryzinski.

Mas Magnus Brunner, comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, mostrou estar tranquilo nesta terça-feira: “A Europa, creio eu, definitivamente passou neste teste. Ninguém conseguiu entrar no espaço Schengen e a segurança na fronteira foi resolvida rapidamente. Agora, o essencial é que a União Europeia faça algo”.