Recentemente, pesquisadores se perguntaram o porquê que algumas pessoas sempre levam mais picadas de mosquitos mesmo se estão igualmente, senão mais, cobertas do que outras. Acontece que há décadas que cientistas procuram respostas para esse “gosto” entre os mosquitos.
Surpreendentemente, o estudo mostrou que essas relações podem ser ainda mais complicadas do que imaginávamos. Mais do que uma preferência por um tipo sanguíneo O, A, B ou AB, os mosquitos podem desenvolver suas “preferências” a partir de aromas emitidos pela nossa pele.
Primeiramente, o artigo publicado na revista IScience, destaca logo de cara que não há uma pessoa universalmente atrativa para esses animais. Na verdade, o que os estudos mostraram é que cada espécie favorece sua própria mistura distinta de aromas humanos.
A “sabor preferido” dos mosquitos
Nesse sentido, para realizar os testes, foram recrutados 119 voluntários pela Universidade Internacional da Flórida, em Miami. Para cada um colocar um braço, com manga longa, em uma câmara de cheiro adaptada para conter os três principais mosquitos vetores do mundo: Aedes aegypti (mosquito comum na África e Ásia), Aedes albopictus (mosquito do tigre asiático) e Culex quinquefasciatus (mosquito comum em todo o mundo).
Assim, os pesquisadores conseguiram utilizar o aroma da pessoa, que ficou nas mangas longas feitas de nylon para testes posteriores com os mosquitos durante a noite. Não obstante, também fizeram os candidatos esfregarem seus braços para capturarem espécies bacterianas que vivem em suas peles.
Conforme o estudo, os testes utilizando cromatografia gasosa-espectrometria de massa (GC-MS) analisaram a composição química dos odores de cada participante. Mas ainda que tenham recolhido todas essas informações o estudo deixou claro que não há uma resposta única para a pergunta.
Os resultados
Na verdade, nenhum dos participantes apareceu no top 10% dos participantes mais atraentes para as três espécies. Dentre os dados coletados, foi visível uma leve preferência do Aedes aegypti por participantes do sexo masculino.
Também foi possível notar que tanto o Aedes aegypti quanto o Culex quinquefasciatus foram menos atraídos por pessoas cujo odor da pele continha níveis mais altos de certos álcoois cíclicos e monoterpenos, que são produtos químicos perfumados semelhantes a plantas, frequentemente encontrados em óleos essenciais. Já o Aedes albopictus era atraído por pessoas portadoras de aromas específicos como cetonas.
Surpreendentemente, foram as bactérias que deram dicas mais definidoras para o estudo. De acordo com os pesquisadores, foi possível encontrar 246 tipos diferentes de micróbios da pele entre os participantes. Das quais três deles pareciam ser preferidos pelas três espécies de insetos.
As espécies são: Corynebacterium kefirresidentii, o Cutibacterium granulosum e uma variante do Staphylococcus epidermidis. Ao mesmo tempo, havia aquelas que afastaram mais os animais hematófagos, as Pseudomonas aeruginosa.
Além disso, os pesquisadores destacaram que os dados são insuficientes para tirar qualquer conclusão. Fato é que não há um atrativo universal.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes
Historiador em formação que troca qualquer “sextou” por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: