O Exército de Israel avançou, na terça-feira à noite, para uma zona nos arredores da Cidade de Gaza. A agência Reuters descreve como os carros de combate israelitas avançaram sobre o bairro Ebab Alraham, destruindo casas, deixando várias pessoas feridas, e obrigando outras a sair da zona.

Israel tem em marcha um plano para avançar sobre a Cidade de Gaza com o objectivo de ocupar totalmente a cidade, onde estão quase um milhão de pessoas e que descreve como um bastião do Hamas.

Isto, mesmo que haja uma proposta de cessar-fogo já aceite pelo Hamas na semana passada e a que o Governo israelita ainda não respondeu. O líder da oposição, Yair Lapid, afirmou ter recebido um contacto dos mediadores, que estão espantados por não terem uma resposta do Governo israelita, diz o Times of Israel.


“De repente, ouvimos os tanques a avançar, os sons das explosões cada vez mais altos e vimos pessoas a fugir em direcção à nossa zona”, já mais perto do centro da Cidade de Gaza, descreveu Saad Abed, 60 anos, à agência Reuters. “Se não houver trégua, vamos ver tanques à porta de nossa casa.”

O Exército de Israel estima que cerca de 30% das pessoas actualmente na cidade irão recusar-se a sair, pelo menos até à entrada dos militares, e por isso diz que a operação irá demorar. Os militares estarão ainda preocupados com potenciais consequências legais da acção, segundo o diário Haaretz.

Entre quem promete ficar na cidade, estão líderes religiosos cristãos, que albergam em complexos ligados a duas igrejas centenas de pessoas, incluindo idosas, mulheres, crianças e pessoas com deficiência, disseram o Patriarcado Grego Ortodoxo e o Patriarcado Latino de Jerusalém num comunicado conjunto.

Se quem está nas instalações “terá de decidir de acordo com a sua consciência o que vai fazer”, os líderes religiosos estão convictos de que “tentar fugir para sul seria nada menos do que uma sentença de morte”, para estas pessoas, também pelo seu estado de fragilidade devido à desnutrição.

Mesmo se “o anúncio do Governo de Israel de que ‘vão-se abrir os portões do Inferno’ esteja a acontecer de modo trágico” e que “a operação não seja só uma ameaça, mas uma realidade que está a ser concretizada”.

Desde o início da guerra, partes dos complexos da igreja de São Porfírio (grega ortodoxa) e da Sagrada Família (católica) foram atingidas por ataques israelitas. Nas duas igrejas, estarão cerca de 600 pessoas que ali se abrigam desde o início da guerra. A comunidade contará actualmente com apenas 700 pessoas, disse, numa entrevista ao jornal digital português 7 Margens ​em Dezembro de 2024, o pároco da Igreja Sagrada Família, Gabriel Romanelli.

Quando ninguém sabe o que vai acontecer na Cidade de Gaza, os EUA preparam-se para ter, esta quarta-feira, um encontro sobre o dia seguinte ao fim da guerra, segundo Steve Witkoff, enviado do Presidente dos EUA.

Witkoff fez o anúncio na Fox News, em resposta a uma pergunta sobre se existia um plano para o pós-guerra, falando de “um plano muito completo”. Israel tem, até agora, recusado o envolvimento quer do Hamas quer da Autoridade Palestiniana no governo da Faixa de Gaza, enquanto dos EUA Donald Trump falou de um plano implicando a saída dos palestinianos, ou seja, limpeza étnica, para fazer do território a Riviera do Médio Oriente.

O enviado especial de Donald Trump afirmou ainda à Fox que os EUA esperam que a guerra esteja terminada até ao final do ano, “de uma maneira ou de outra”, quando questionado se Israel deveria fazer algo diferente para assegurar a libertação dos reféns.

Também disse que Israel estava “aberto” a continuar discussões com o Hamas, que, pelo seu lado, estava também aberto a um acordo. com agências