A preparação de esqueletos para coleções de museus e laboratórios de pesquisa acaba de ganhar um aliado inusitado. Uma nova pesquisa revela que os chamados supervermes, que na verdade são larvas de um tipo de besouro, podem ser muito mais eficazes que os métodos convencionais na remoção de tecidos moles dos ossos. 

Publicado originalmente no periódico PLOS One, o estudo sugere que essas criaturas oferecem uma solução delicada e veloz para um processo que, por décadas, dependeu de substâncias químicas agressivas ou da fervura de materiais biológicos preciosos.

Descoberta por acaso 

Conforme informações do veículo Smithsonian Magazine, a descoberta ocorreu de forma acidental no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha. Os pesquisadores criavam as larvas da espécie Zophobas morio inicialmente para alimentar aves feridas e costumavam oferecer restos de vegetais aos insetos. 

Certo dia, ao ficarem sem sobras de legumes, os cientistas ofereceram uma sobra de osso de frango aos bichos e ficaram impressionados com a rapidez e perfeição com que os ossos foram limpos pela primeira vez.

Eficiência contra danos 

Ao contrário dos besouros dermestídeos, que são o padrão atual da indústria, os supervermes não apresentam o mesmo risco de infestar as coleções do museu, pois permanecem no estágio larval por meses quando mantidos em grandes grupos. 

Além disso, métodos como a fervura ou tratamentos químicos podem fragilizar ou escurecer a estrutura óssea. Em entrevista ao veículo Science, a bioinformaticista Niloofar Alaei Kakhki destacou as vantagens práticas da nova abordagem.

“Supervermes são realmente rápidos em comparação com outros métodos tradicionais. Eles são mais ecológicos e sua manutenção é super fácil”, afirmou a especialista.

Manutenção simples e segura 

O processo exige um equilíbrio específico, utilizando entre 10 e 15 larvas para cada grama de carcaça para garantir que a limpeza ocorra em questão de horas ou dias, sem causar ranhuras nos ossos

O curador de zoologia Mike Rutherford, que não participou do estudo, comentou ao veículo Science que a técnica é promissora por ser um modo menos arriscado de lidar com insetos em instituições culturais. 

Embora não pretendam substituir totalmente as técnicas antigas, os autores do estudo, incluindo o zoólogo Morteza Monfared, acreditam que essa é uma ferramenta valiosa que pode ser adaptada conforme a necessidade financeira e de espaço de cada laboratório ou universidade.

*Sob supervisão de Fabio Previdelli


Luiza Kellmann

Meu propósito é dar voz a narrativas.