Em conversa com o Observador, Zoe explica que esta é a última feitoria inglesa no globo, com a particularidade de ser uma associação criada pelos comerciantes britânicos no Porto, que davam um contributo voluntário para o fundo da casa, destinado à sua manutenção, mas também a “ajudar o padre ou membros da comunidade que tivessem dificuldades no negócio”. A associação continua a funcionar assim: cada sócio paga uma quota anual em dinheiro, além de doar dez caixas de Porto vintage. Presentemente, os membros são empresas britânicas produtoras de vinho do Porto representadas por indivíduos; sete casas, de que são exemplo Graham’s, Churchill’s ou Symington Family Estates. Contudo, no início, os comerciantes dedicavam-se a áreas como a dos têxteis ou a do bacalhau, contextualiza Cecília Silva, responsável pelo edifício.

“Esta é uma instituição viva, que ainda tem as suas tradições”, reforça Zoe Graham. Exemplo disso é o almoço tradicional de quarta-feira, em que os sócios se reúnem, obedecendo a certos rituais. Um deles é expor o jornal The Times daquele dia, um século antes. Adivinha-se extenso o acervo, visto que, diariamente, desde 1832, se comprava esse periódico. Também se mantém o costume de ser o tesoureiro a escolher o vinho vintage para a refeição. Tem esse nome porque era o responsável pelo tesouro, ou seja, pelo fundo comum resultante das entregas dos comerciantes à associação. Atualmente, equivale à figura do diretor e cumpre um mandato de um ano, não podendo exercer o cargo durante dois anos seguidos. À entrada, estão os nomes de todos os tesoureiros desde 1811, alguns deles portugueses, sendo o atual, pela primeira vez, um americano: Ben T. Himowitz.

“Não quisemos tornar a casa num museu, quisemos criar uma visita a uma instituição em funcionamento”, sublinha Zoe Graham, acrescentando que, quando se abre as portas, existem cordões a proteger certas áreas. São duas as modalidades de visita, entre sexta e terça-feira (encerra quarta e quinta). De manhã, há visitas guiadas com direito a prova de dois Porto Vintage (um mais recente e outro mais antigo, das sete empresas associadas). Decorrem às 10 e 12 horas, em inglês, e às 11 horas, em português, duram entre uma hora e hora e meia, abrangem praticamente todos os espaços e custam 70 euros por pessoa.