A Volvo enfrenta um dos maiores recalls da história do EX30, depois de ter sido identificado um potencial problema em alguns módulos da bateria de alta tensão que pode, em circunstâncias muito específicas, aumentar o risco de sobreaquecimento e, no pior cenário, provocar um incêndio.

O caso começou por ganhar grande notoriedade no Brasil, onde a marca pediu aos proprietários para não carregarem o veículo acima dos 70%. No entanto, rapidamente se percebeu que o problema não era exclusivo daquele mercado, tendo sido alargado a uma campanha mundial que abrange dezenas de milhares de veículos.
O que motivou o recall?
No final de dezembro de 2025, a Volvo Car Brasil anunciou um recall para unidades do EX30 produzidas em determinados lotes, depois de ter sido identificado um defeito em células da bateria de alta tensão fornecidas por um fornecedor específico.
Segundo a marca, algumas células podem desenvolver um curto-circuito interno, sobretudo quando a bateria se encontra com um nível de carga elevado. Embora a probabilidade de ocorrência seja considerada reduzida, existe a possibilidade de sobreaquecimento e, em casos extremos, de incêndio.
Como medida preventiva, a Volvo recomendou aos proprietários que limitassem o carregamento da bateria a 70%, tendo disponibilizado uma atualização de software capaz de impor automaticamente esse limite.
O problema tornou-se mundial
A situação deixou de estar circunscrita ao Brasil em fevereiro de 2026, quando a Reuters revelou que a Volvo iria proceder a um recall mundial de mais de 40.000 unidades do EX30.
A campanha passou a abranger vários mercados, incluindo Estados Unidos, Austrália e outros países onde o modelo é comercializado.
Enquanto aguardavam pela reparação definitiva, os proprietários continuaram a ser aconselhados a manter o limite de carga nos 70% e, em alguns mercados, a estacionar o veículo afastado de edifícios ou outras estruturas como medida adicional de precaução.

A solução não passa apenas por software
Apesar da limitação do carregamento ser aplicada através de software, a Volvo confirmou que a resolução definitiva exige intervenção física no veículo.
A reparação consiste na substituição dos módulos da bateria afetados, seguida da instalação de uma nova atualização de software. Desta forma, a marca pretende eliminar a possibilidade de curto-circuito interno nas células identificadas como potencialmente defeituosas.
Houve atrasos na reparação
Ao longo dos primeiros meses de 2026, vários proprietários, sobretudo no Brasil, manifestaram descontentamento com a demora na chegada dos novos módulos da bateria.
Enquanto aguardavam pela substituição, os veículos permaneceram limitados a 70% de carga, reduzindo significativamente a autonomia disponível e condicionando a utilização diária do automóvel.
A situação ganhou ainda maior visibilidade depois de um EX30 se ter incendiado no Rio de Janeiro. Embora o veículo estivesse incluído na campanha de recall, as autoridades continuaram a investigar as causas exatas do incidente.

Qual é a situação atualmente?
A Volvo mantém em curso a campanha de substituição dos módulos da bateria nas viaturas abrangidas pelo recall.
Os proprietários dos veículos afetados são contactados pela marca para agendamento da intervenção, sendo o número de chassis (VIN) o elemento utilizado para determinar se uma determinada unidade está incluída na campanha.
Importa sublinhar que nem todos os Volvo EX30 estão afetados. O problema está limitado a determinados lotes de produção equipados com módulos da bateria provenientes de um fornecedor específico.
Assim, os proprietários de um EX30 apenas deverão preocupar-se caso o seu veículo seja abrangido pela campanha oficial de recall comunicada pela Volvo.

E em Portugal?
Apesar de o recall ter sido alargado a vários mercados internacionais, Portugal não está abrangido pela campanha. A Volvo Car Portugal confirmou que nenhum Volvo EX30 comercializado oficialmente no mercado nacional integra o recall relacionado com o risco de sobreaquecimento da bateria.
Segundo a marca, os veículos vendidos em Portugal não pertencem aos lotes de produção afetados. A situação poderá ser diferente apenas no caso de viaturas importadas de outros países, uma vez que a campanha é determinada pelo número de chassis (VIN). Nestes casos, os proprietários deverão contactar um concessionário oficial Volvo para confirmar se o veículo está abrangido pela campanha de recolha.
Assim, os proprietários de um Volvo EX30 adquirido através da rede oficial da marca em Portugal não necessitam de limitar o carregamento da bateria aos 70%, nem de aguardar qualquer intervenção relacionada com este recall.
Esta informação ajuda a esclarecer uma dúvida que surgiu depois de vários meios internacionais noticiarem o caso, levando alguns proprietários portugueses a questionar se os seus veículos poderiam estar igualmente afetados