“Bichos escrotos saiam dos esgotos / bichos escrotos venham enfeitar / meu lar / meu jantar / meu nobre paladar”. Lançada no clássico álbum “Cabeça dinossauro” (1986), a canção dos Titãs “Bichos escrotos” marcou época e se tornou referência de um rock político que oferecia entretenimento e reflexão ao mesmo tempo. Quatro décadas após seu lançamento, a canção surge como tema principal de “Corrida dos bichos”, agora interpretada por Anitta, que também faz uma participação no filme como atriz. Assim como a música, a obra cinematográfica, codirigida por Fernando Meirelles, apresenta uma série de críticas sociais e coloca os animais no centro da história.

Passado num Rio de Janeiro futurístico sob ruínas, o longa, que estreia amanhã no streaming do Amazon Prime Video, imagina uma realidade em que o jogo do bicho ganhou uma versão carne e osso, em que as pessoas disputam uma corrida violenta em busca de mudar de vida. Na corrida, que atravessa várias áreas da cidade, cada competidor usa a máscara de um animal e precisa seguir as ordens de um líder da equipe numa sala de comando. Dirigido também por Ernesto Solis e Rodrigo Pesavento, além de Meirelles, “Corrida dos bichos” nasce de uma ideia que Solis vem há quase 20 anos tentando tirar da gaveta.

— O projeto nasceu em 2008, quando um produtor me encomendou um roteiro que tinha como premissa um Rio de Janeiro futurista — conta Solis. — A partir disso, quis trazer algo que identificasse muito o Brasil, que fizesse parte da nossa identidade, especialmente no Rio, e foi assim que escolhi o jogo do bicho. Queria fazer uma alegoria que fugisse um pouco do registro do realismo, queria fazer uma coisa doida e absurda.