— Estamos trabalhando com arquétipos. O arquétipo do mordomo, do cuidador, do homem sensível. Nunca foi falado nada sobre as relações do Edvaldo. Mas como na televisão, na dramaturgia e na literatura em geral esse é um arquétipo ligado ao feminino, ao gay, as pessoas automaticamente pensaram: “É gay”. Mas não tem informação, não tem uma construção minha para esse lado. O que tem é um jeito delicado, sensível. É uma pessoa que faz os serviços que normalmente são indicados ou feitos por mulheres. Nós vamos quebrar padrões. Durante muito tempo ensinaram para os homens que demonstrar afeto, sensibilidade e vulnerabilidade é sinônimo de fraqueza. Isso felizmente está mudando. O meu personagem representa essa transformação. A força dele não está na agressividade. A verdadeira masculinidade não precisa provar que é forte o tempo todo, sabe? Ela suporta delicadeza. O homem que é seguro de si não tem medo dos próprios sentimentos. A vulnerabilidade não diminui um homem, ela o torna mais humano. A ficção também educa. Então, quando mostramos que o homem escuta, demonstra carinho e não tem medo de sentir, a gente amplia as possibilidades de identificação. Eu vi muitas pessoas perguntando na internet: “Mas não era gay?”. E agora acabou. As últimas postagens já são dizendo: “Amo esse casal”.