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Tudo o que é essencial está a 15 minutos a pé ou de bicicleta. Quanto maior é a cidade, maior é a probabilidade de esse conceito se aplicar.

Em 2020, só eram duas cidades a aparecer nas notícias por causa deste conceito: Barcelona e Paris.

Em 2021, já se falava noutras cidades como Milão e Londres, acrescentando que esta estratégia poderia fazer regressar pessoas que tinham fugido das grandes cidades.

O mesmo conceito também já foi alvo de críticas, em 2023, quando surgiram teorias sobre “um conceito socialista internacional” que “nos custará a nossa liberdade pessoal”.

O conceito em causa é a cidade dos 15 minutos.

Numa cidade de 15 minutos, tudo o que é essencial no dia-a-dia está, no máximo, a 15 minutos de casa (a pé, de bicicleta ou de transportes públicos): escola, hospital ou clínica, lojas, supermercado, bancos, espaços de cultura, de lazer e de desporto…

A mobilidade de longa distância é significativamente reduzida, os carros quase ficam encostados.

É um conceito de planeamento urbano, que serve para reduzir as emissões poluentes do transporte individual e aumentar a qualidade de vida e a segurança dos bairros.

Na cidade dos 15 minutos a rua é o núcleo, o ponto de encontro. É o centro das actividades ao ar livre, um local pedonal, verde, para diferentes utilizações ao longo do dia.

Na Alemanha, está a resultar: 74% da população vivia numa cidade de 15 minutos no ano passado, de acordo com um estudo do Instituto Federal para a Investigação em Construção, Urbanismo e Ordenamento do Território.

Na capital da Áustria, Viena, a cidade dos 15 minutos também já está a decorrer na maioria do território.

Outros exemplos vêm de França e Finlândia: em Estrasburgo, mais de metade da população já não tem carro próprio; em Helsínquia, ao longo de mais de um ano, ninguém morreu em acidentes de carro.

“Os nossos dados comprovam que bairros funcionalmente mistos, com percursos curtos, também são possíveis em grandes conjuntos habitacionais ou cidades-jardim”, comenta Brigitte Adam, engenheira e uma das responsáveis pelo estudo na Alemanha, citada no Euronews.

Há uma mapa que mostra onde há cidades de 15 minutos. E há 11 exemplos em Portugal: Viana do Castelo, Braga, Guimarães, Póvoa de Varzim, Porto, Viseu, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Faro e Ponta Delgada.

A cidade que se destaca é mesmo a capital: “proximidade” de 10 minutos a pé, 4 minutos de bicicleta.

Viana do Castelo e Viseu estão no outro extremo: 30 minutos a pé, mas 13 minutos de bicicleta – e é este último critério que as inclui no mapa.


Nuno Teixeira da Silva, ZAP //