As imagens captadas pela sonda Danuri permitiram aos investigadores da Administração Aeroespacial da Coreia do Sul confirmar que a colisão do estágio superior do foguetão da SpaceX causou alterações na superfície lunar. Além da Danuri, a Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA também vai fotografar o local do impacto.
Esta semana, o estágio superior de um foguetão Falcon 9 da SpaceX colidiu com a Lua depois de andar à deriva no Espaço por mais de um ano. Embora não tenha sido possível captar o momento da colisão em tempo real, a sonda sul-coreana Danuri conseguiu passar depois pelo local do impacto para registar as primeiras imagens.
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Segundo a Administração Aeroespacial da Coreia do Sul (KASA, na sigla em inglês), a trajetória da sonda foi ajustada para sobrevoar a zona do impacto, localizada perto da cratera Einstein. A Danuri registou uma imagem a cerca de 30 minutos antes da colisão, realizando mais sete observações nas horas seguintes, avança a entidade em comunicado.
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Para registar o impacto, a sonda recorreu a dois instrumentos, incluindo uma câmara de alta resolução (LUTI), utilizada para captar imagens detalhadas da superfície lunar antes e depois da colisão. A Danuri usou também outra câmara (PolCam) concebida para analisar as propriedades do solo e acompanhar a dispersão do material projetado pelo impacto.
A análise das imagens permitiu aos investigadores confirmar que o impacto causou alterações na superfície lunar. Nas imagens partilhadas pela KASA é é possível ver uma marca escura e alongada que não aparecia em fotografias anteriores, captadas pela sonda semanas antes da colisão.
Além da Danuri, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA também vai captar imagens do local do impacto. Embora a colisão tenha sido acidental, investigadores acreditam que o incidente poderá revelar novas pistas sobre a forma como este tipo de impactos afeta a superfície lunar, permitindo estudar a formação de crateras, a dispersão de material e até a propagação de ondas sísmicas no interior da Lua
A colisão dos destroços de um foguetão da SpaceX com a Lua está a ser analisada por investigadores. Imagens captadas por sondas como a sul-coreana Danuri ou a Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, poderão revelar detalhes importantes sobre os riscos que este tipo de impacto representa para futuras missões e infraestruturas como bases lunares.
Recorde-se que este estágio superior faz parte de um foguetão Falcon 9 que, em janeiro do ano passado, foi utilizado para transportar duas sondas de empresas privadas para missões à Lua.
Depois de cumprir a sua missão, o componente, com um peso a rondar as quatro toneladas e com uma altura semelhante à de um edifício de cinco andares, acabou por permanecer no Espaço, numa órbita elíptica entre a Terra e a Lua.
A colisão terá ocorrido pelas 07h35 (na hora de Lisboa) do dia 5 de agosto, num impacto a cerca de 8.700 quilómetros por hora. Os cientistas acreditam que a colisão terá lançado uma nuvem de poeira e detritos que poderá ter atingido uma extensão superior a 100 quilómetros.
Como explica a NASA, como a Lua não tem atmosfera, a sua superfície é atingida diariamente por meteoroides diariamente. As colisões provocadas por objetos criados por humanos são muito menos frequentes, mas acontecem ocasionalmente.
A agência espacial estima que o impacto tenha criado uma cratera com cerca de 18 metros de diâmetro e quase quatro metros de profundidade, com outras previsões a apontarem para dimensões ligeiramente maiores.
“Por comparação, um meteoroide com uma energia de impacto semelhante atinge a Lua, em média, a cada seis dias. Isto significa que a superfície lunar está constantemente sujeita a colisões com uma intensidade comparável”, afirma a NASA.
Note-se que esta não é a primeira vez que ocorre um incidente semelhante. Em 2022, cientistas alertaram que os destroços do que inicialmente parecia ser o estágio superior de um foguetão Falcon 9 iriam colidir com a Lua.
Mais tarde, cálculos revelaram que se tratava afinal de um módulo do foguetão Long March 3C que levou a missão lunar chinesa Chang’e 5-T1 para o Espaço em 2014. O impacto, que não foi visível a partir da Terra, acabou por deixar duas crateras na superfície da Lua.
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