A proposta de Gianni Infantino para criar uma empresa, com acionistas privados, de forma a explorar os direitos comerciais das principais provas mundiais de futebol terá sido apresentada à maioria dos membros do Bureau do Conselho da FIFA — sub-órgão restrito que trata de assuntos urgentes da FIFA — apenas na véspera da final do Mundial de Futebol, avança o The New York Times (acesso pago).
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De acordo com três fontes familiarizadas com as discussões, um grupo de cinco executivos da federação foi convocado para uma reunião em Manhattan, tendo sido lhes dado até à meia-noite para decidir se aprovavam o plano que visava vender uma participação de 20% na FIFA Forward Enterprise (FFE) a investidores privados. As mesmas fontes apontam que os responsáveis saíram da reunião com a impressão de que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, que não estava presente,ficaria furioso caso travassem o processo.
A favor do acordo terão estado o secretário-geral Mattias Grafstrom, o responsável jurídico Emilio Garcia e o chefe de gabinete Dan O’Toole. Já o diretor de operações Kevin Lamour e o responsável financeiro Thomas Peyer recusaram-se a apoiar.
A notícia surge no mesmo dia em que a UEFA anunciou que vai manter o boicote à FIFA, mesmo após o recuo de Infantino, afirmando ter perdido a confiança no líder.
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“As associações da UEFA foram muito claras relativamente às condições associadas à sua não participação nas competições da FIFA“, afirmou a organização, citada pelo The Guardian. “Primeiro, as propostas para vender as principais competições tinham de ser retiradas e, segundo, têm de ser dadas garantias de que tais tentativas de desfigurar o jogo desta forma nunca mais serão feitas.”
“Essas condições não foram cumpridas. Além disso, a UEFA deixou bem claro na sua declaração de sábado que perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino. Essa posição mantém-se. O anúncio de quarta-feira de que algumas pessoas empregadas pelo presidente da FIFA (e cujas carreiras dependem do seu favor) concordam com ele não muda nada”, afirma ainda.
Na quarta-feira à noite, a FIFA tinha confirmado que Gianni Infantino se manteria como presidente após uma reunião de executivos seniores em Rabat. Em comunicado, a federação revelou que Infantino enviou pedidos de desculpa por escrito ao conselho da FIFA e às 211 associações membro por não os ter consultado sobre a venda de direitos do Mundial.
No dia 28 de julho, o jornal Financial Times revelou que a FIFA se preparava para constituir uma nova sociedade avaliada em 20 mil milhões de dólares, com o apoio do banco JPMorgan, para deter e gerir os ativos comerciais — incluindo patrocínios e publicidade — e os eventos do organismo internacional que governa o futebol. Uma posição de cerca de 20% desta nova entidade seria vendida a Joshua Kushner, irmão mais velho de Jared Kushner, genro de Trump.