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Rio Reno

Escassez de água ameaça indústria alemã e intensifica disputa por recursos hídricos. Reno em níveis históricos.

No fim-de-semana passado, o nível de água do rio Reno atingiu o nível mais baixo de sempre. Ou, pelo menos, desde que há registos oficiais. Há perturbações na navegação fluvial, nas indústrias, na economia no geral na Alemanha.

A diminuição dos níveis de água nos rios alemães, em particular no Reno, está a revelar um problema estrutural que poderá transformar-se num dos maiores desafios económicos e ambientais da próxima década.

Para além das dificuldades imediatas na navegação fluvial, especialistas alertam para uma crescente disputa entre empresas, autarquias e setor agrícola pelo acesso à água, um recurso cuja disponibilidade já condiciona decisões de investimento e localização industrial.

Uma análise do Handelsblatt conclui que este conflito já está em curso. A guerra pela água já começou há muito tempo, refletindo-se tanto na atribuição de direitos de utilização da água como nos planos de expansão de diversas empresas.

O fenómeno não se limita à Alemanha. Segundo Saroj Jha, diretor global para a área da água do Grupo Banco Mundial, o planeta perde anualmente cerca de 324 mil milhões de metros cúbicos de água doce, um volume equivalente ao consumo de aproximadamente 280 milhões de pessoas.

As consequências poderão ser profundas, incluindo perdas de emprego e rendimento, redução da produção alimentar e maior frequência de desastres ambientais, como incêndios florestais.

Ao mesmo tempo, a procura de água continua a aumentar, impulsionada pelo crescimento de novas indústrias, nomeadamente os centros de dados associados à inteligência artificial, cuja operação exige elevados consumos de recursos hídricos.

De acordo com especialistas, estas novas atividades poderão fazer crescer a procura mundial de água em cerca de 2,6 vezes.

Este cenário poderá levar os estados federados alemães a competir entre si para assegurar recursos hídricos suficientes para atrair investimento industrial, tornando a disponibilidade de água um fator determinante para a competitividade económica do país.

Entretanto, o impacto económico da atual situação de águas baixas no Reno já é significativo.

Um estudo da consultora Prognos estima perdas de produção na ordem dos 913 milhões de euros na bacia do rio, acompanhadas por uma redução de 214 milhões de euros em valor acrescentado e o equivalente à perda de cerca de 1.900 postos de trabalho.

A região de Mannheim-Ludwigshafen surge entre as mais afetadas, com perdas estimadas em 494 milhões de euros, dos quais 331 milhões correspondem ao setor químico. Seguem-se as regiões do Reno-Meno, Karlsruhe e Mainz. A indústria química é a mais penalizada, acumulando perdas de produção de 426 milhões de euros, seguida pelas refinarias e pela indústria petrolífera.

As refinarias enfrentam dificuldades acrescidas devido à redução do calado do Reno. Em vários troços, as embarcações apenas conseguem transportar um quarto da carga habitual ou são obrigadas a interromper temporariamente a atividade, levando muitas empresas a recorrer ao transporte ferroviário e rodoviário como alternativa.