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Jason Arday
Um professor da Universidade de Cambridge envolvido numa polémica de grande dimensão por alegado plágio demitiu-se esta quarta-feira dos cargos que ocupava, pouco depois de a prestigiada instituição britânica ter anunciado uma investigação às várias acusações contra si.
O sociólogo britânico Jason Arday, que em 2023 se tornou o professor negro mais jovem de sempre da Universidade de Cambridge, tem enfrentado um número crescente de acusações de que terá plagiado partes da sua tese de doutoramento.
Surgiram também dúvidas sobre algumas afirmações relativas ao seu percurso pessoal.
Arday e os seus apoiantes sustentam que parte desse escrutínio tem motivações racistas.
Numa carta publicada online, afirmou que a demissão era “a única forma” de pôr fim a um “período difícil”, mas insistiu que a decisão não deve ser “confundida com uma aceitação das narrativas que se criaram à minha volta”.
“É apenas a decisão de alguém que chegou ao limite do que se pode razoavelmente esperar que qualquer pessoa suporte”, escreveu.
Arday anunciou a demissão, com “efeitos imediatos”, dos cargos de professor de Sociologia da Educação em Cambridge e de membro do Jesus College, que integra a universidade.
A decisão foi conhecida poucas horas depois de Cambridge ter anunciado que “deu início a uma investigação na sequência de novas informações sobre as qualificações académicas e nomeações honorárias do professor Arday”.
“Em separado, continuam em curso várias queixas relativas a má conduta académica, que estão a ser tratadas de acordo com a nossa política sobre má conduta na investigação”, acrescentou a universidade.
Em junho, Cambridge tinha defendido firmemente Arday, denunciando “uma campanha vil para minar a sua credibilidade”.
A instituição garantiu ainda que as acusações de plágio relativas à sua “tese e aos artigos publicados em revistas científicas” tinham sido investigadas e rejeitadas pela “instituição competente” e pelas respetivas publicações.
A universidade não especificou esta quarta-feira que novas informações motivaram a investigação. O Jesus College anunciou, por sua vez, que também iria abrir um inquérito.
Carta aberta
Nathan Cofnas, um académico norte-americano que se define como “realista racial” e cuja ligação de investigação a Cambridge terminou em 2024, na sequência de acusações de racismo, alegou que várias secções da tese de doutoramento de Arday foram copiadas de outros trabalhos.
Também foram contestadas algumas afirmações de Arday sobre a sua vida pessoal, incluindo a de que correu 30 maratonas em 35 dias e angariou milhões para instituições de solidariedade.
Numa entrevista ao The Times, publicada no sábado passado, Arday admitiu ter cometido “erros” académicos, mas afirmou que estava a ser injustamente “retratado como um mentiroso, um fantasista e uma fraude académica”.
Alegou ainda que a “campanha para me afastar do cargo” tinha “motivações raciais”.
O escândalo foi explorado por jornais e comentadores de direita, que apresentaram Arday como o “rosto” das políticas de diversidade, igualdade e inclusão.
Uma carta aberta em sua defesa, que denuncia “uma tentativa de fragilizar pessoas negras que ocupam posições de influência”, reuniu mais de 15.000 assinaturas, incluindo as de destacados académicos negros e dirigentes de Cambridge.
Esta quarta-feira, a Simon & Schuster, cuja editora britânica deverá publicar este mês as memórias de Arday, intituladas “Great and Unfortunate Things“, afirmou ter “orgulho em publicar” a história da sua vida.
Diagnosticado com autismo, Arday afirma que não comunicava verbalmente até aos 11 anos e que só aprendeu a ler e a escrever aos 18, antes de se tornar professor em Cambridge aos 37.
A editora sublinhou que “não foram feitas acusações de plágio relativamente” ao livro de memórias.
Na sua declaração, Arday insistiu que “este não é o fim do meu trabalho” e que precisava de “tempo para recuperar… e voltar a ser eu próprio”.
“Voltarei“, prometeu.