Nas primeiras impressões do Galaxy Z Fold8, logo nas primeiras horas depois do lançamento oficial da nova linha de smartphones dobráveis da Samsung, a grande questão era se, depois de estranhar, o novo formato se tornaria funcional. Depois de mais de duas semanas de utilização intensiva a resposta é claramente positiva, com o modelo em tamanho passaporte a passar com distinção nos testes que realizámos. E com um bocadinho mais de investimento poderia mesmo ser perfeito.

Os primeiros planos da Samsung para lançar um smartphone de ecrã dobrável foram apresentados ainda em 2013, na CES, onde a marca mostrou dois protótipos de uma nova gama de dispositivos que pretendia lançar a partir de 2015. Na verdade os primeiros Fold foram oficialmente apresentados em 2019, e chegaram ao mercado em maio desse ano, mas Portugal não estava na lista dos primeiros países a receber os novos dobráveis.

Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

Foram os primeiros modelos comerciais, apesar de haver outras marcas a mostrar vários protótipos, e os problemas técnicos ensombraram o lançamento. Mas a Samsung não desistiu do conceito e foi afinando os pormenores, do design às dobradiças, passando também pelo software para tirar partido dos ecrãs de maior dimensão, e diferentes formatos, dando continuidade às tarefas depois de abrir e fechar o smartphone.  

Os novos Galaxy Z Fold8, que chegam hoje às lojas, são já a oitava geração dos dobráveis da Samsung e mostram que a Samsung não poupou esforços no afinamento do design dos seus equipamentos mais premium, na interface e nas funcionalidades de Inteligência Artificial. Os vincos estão cada vez mais discretos e quase impercetíveis no ecrã, o design é mais fino e leve, e há também melhorias na resistência das dobradiças e do ecrã interior, com a adição da película Flex Titanium.

Se o formato de passaporte, em ecrã de 4:3, parece uma aposta arriscada da Samsung, ainda antes da Apple lançar um dobrável que pode ter dimensões semelhantes, as pré vendas dos novos smartphones da linha Galaxy Z parecem demonstrar o contrário. Segundo dados partilhados pela Samsung, os equipamentos bateram o recorde de telemóveis dobráveis mais pré-encomendada de sempre na Europa e o Galaxy Fold8 é o popular entre os consumidores europeus, com mais de 40% das pré-encomendas.

E a experiência de utilização também comprova que este é um formato que facilmente ganha pontos na utilização, mesmo que tenha ainda várias arestas para limar, sobretudo em termos da adaptação das aplicações ao tamanho do ecrã.

Clique nas imagens para mais detalhes do Galaxy Z Fold8

Mais do que apenas design

Para quem está habituado a usar um smartphone “de barra”, nos formatos que se tornaram mais habituais, um dobrável em formato de livro parece ser sempre uma transição mais fácil, mantendo um design semelhante quando fechado e esticando o ecrã quando aberto. Por isso, à primeira vista, parecia que a adaptação ao novo Z Fold8 seria mais difícil, o que não aconteceu.

Durante os testes facilmente adaptámos hábitos de utilização e navegação no smartphone, aberto e fechado, e o formato de passaporte foi conquistando rotinas. Mesmo a adaptação à escrita de mensagens, com o teclado dividido, não exigiu mais do que algumas tentativas para se tornar tão fluído como em outros modelos smartphones dobráveis.

Mais pequeno e leve, mas também mais fino, o Fold8 provou que se encaixa facilmente nos bolsos, mas também nas mãos, embora não se consiga fazer tudo apenas com uma mão, especialmente para fechar e abrir, mesmo com as melhorias no design com as molduras mais curvas e a nova dobradiça que já tínhamos elogiado antes.

O ecrã exterior de 5,4 polegadas passa a 7,6 polegadas quando aberto, e o brilho foi esticado a 3.000 nits para garantir a melhor visibilidade no exterior. O peso é de 201 gramas, mais leve do que o Fold 8 Ultra, uma vantagem conquistada pelo tamanho.

Na prática, o Fold8 foi pensado para quem quer o novo formato com máxima portabilidade, enquanto o Fold8 Ultra aposta numa presença mais robusta e num corpo que privilegia fotografia e autonomia, mantendo um formato que já deu provas com as gerações anteriores. De resto, o formato é mesmo a principal diferença, com os dois smartphones a partilharem o mesmo processador, o Snapdragon 8 Elite Gen5 (3nm), materiais e interface de software.

Desempenho à prova de (muita) carga

A Samsung incluiu o melhor processador da Qualcomm nestes equipamentos,, deixando para o Z Flip a utilização dos seus chips Exynos, e o Fold8 mostrou estar à altura das exigências, mantendo a fluidez com muitas janelas e aplicações abertas e tirando bom partido das melhorias que o Android tem trazido na utilização de recursos, o que se reflete também na duração da bateria.

Como era de esperar, as ferramentas de IA estão melhores, e até o Now Brief já traz informação mais útil para o dia a dia. Progressivamente estas aplicações integradas com o sistema operativo estão a deixar de ser só um instrumento de marketing para começar a fazer a diferença no apoio a várias tarefas e sugestões personalizadas, mesmo quando em modo multitasking.

As melhorias sentem-se especialmente na tradução em tempo real e resumo de notas, mas também nas sugestões de escrita de mensagens e na organização da informação. E, claro, na fotografia e no vídeo, onde a IA tem dado passos largos, embora não a favor do realismo das imagens.

Há ainda melhorias a fazer, especialmente na adaptação de várias aplicações ao formato, já que não se ajustam para a navegação em modo vertical e horizontal, o que se torna dificil de usar, especialmente em alguns jogos.

A bateria do Fold8 é também mais pequena do que a do Ultra, com 4.800 mAh, mas na utilização que temos feito, mesmo que intensa, tem sido suficiente para durar mais do que um dia, chegando à noite sem ansiedade e com ainda uns largos 30% (em média). A verdade é que, ao contrário do que aconteceu nas primeiras horas em Londres, não passamos o dia a fazer fotografia e vídeo com o smartphone, o que gasta sempre mais bateria.

A Samsung adicionou a velocidade de carregamento de 45W com fios, e 20W sem fios, que diz garantir uma carga de 63% em 30 minutos. Não é a mais rápida do mercado mas dá para repor facilmente uma boa carga quando percebemos que a bateria está a esgotar.

Menos positivo é o facto de o Fold8 ser “apenas” Qi2 ready, como tem acontecido com outros smartphones da marca, o que obriga à utilização de uma capa para o carregamento sem fios magnético da norma do WPC (Wireless Power Consortium), que já está disponível em muitos carregadores.

Fotografia competente mesmo sem telefoto

Apesar de não ser pensado para quem é apaixonado por fotografia e vídeo, o Galaxy Z Fold8 tem um sistema de câmaras competente, equilibrado e bastante capaz que é mais do que suficiente para quem procura instantâneos que vai usar nas redes sociais, ou partilha com a família.

O sistema de câmara duplo é menos potente e prescinde de uma telefoto, que a Samsung reservou para o Z Fold8 Ultra. Mas o zoom ótico de 2X, digital de 10x, apoiado pela Inteligência Artificial, resolve a maior parte das situações de fotografias de maior distância. Aqui a Torre de Londres parece mais perto com o zoom.

Há que considerar também algumas novas possibilidades criativas, onde a possibilidade de visualizar a fotografia na capa quando está a captar uma imagem, e a My Fan Cam, assim como o dual recording, que certamente vão trazer momentos interessantes na captação de fotos e vídeos.

Dobrável em formato ideal?

Depois de umas primeiras impressões que já eram globalmente positivas, a experiência mais prolongada com o Fold8 mostrou que depois de se estranhar o formato se entranha, usando a frase que Fernando Pessoa criou para o anúncio de uma marca de refrigerantes norte americana.

E na verdade, pode ser uma questão de opção também pelo preço. O Fold8 é uma boa escolha para quem quer entrar no mundo dos smartphones dobráveis mas não se impressiona com o formato de concha do Z Flip, e o desempenho mais modesto a todos os níveis, mas não quer pagar o preço mais elevado de um Ultra.

A principal limitação não estará tanto na bateria ou na dimensão do ecrã e mais na fotografia. O formato do Fold8 até pode ser melhor para produtividade e para ver e editar vídeos e jogar, mas há que ter em conta que em vez de um sistema de três câmaras traz apenas duas câmaras traseiras, ambas de 50 MP, em vez de uma câmara principal de 200 MP e uma telefoto de 10 MP, e isso é uma desvantagem.

O novo Galaxy Z Fold8 chega hoje às lojas com os outros dois novos dobráveis anunciados no Galaxy Unpacked e os preços começam nos 2.069,9 euros para 256 GB de ROM e sobem para 2.269,9 e 2.669,9 para 512 GB e 1 TB, respetivamente.

Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.