Linha de produção do 787 na Carolina do Sul – Imagem: Divulgação – Boeing

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) anunciou, nesta semana, duas importantes ações regulatórias envolvendo aeronaves da Boeing.

A agência exigiu inspeções obrigatórias em 471 unidades da família Boeing 737 MAX para identificar possíveis trincas estruturais na fuselagem, além de propor uma nova diretriz de aeronavegabilidade para os Boeing 787 Dreamliner equipados com motores Rolls-Royce Trent 1000, visando eliminar um risco raro, porém potencialmente grave, de falha simultânea dos dois motores.

A nova Diretriz de Aeronavegabilidade (AD) da FAA abrange os modelos 737-8, 737-9 e 737-8200 registrados nos EUA. O foco das inspeções é o reforço estrutural conhecido como “bear strap”, localizado próximo às portas de saída, bem como a pele da fuselagem em aeronaves que passaram por reparos específicos.

Embora nenhuma fissura tenha sido detectada até o momento nos 737 MAX, a FAA considera prudente ampliar as inspeções por conta da similaridade do projeto e do processo de fabricação dessa área com os Boeing 737 Next Generation, que no passado apresentaram trincas.

Caso não identificadas e corrigidas, essas fissuras podem comprometer a integridade estrutural da fuselagem em certas condições de carga. As inspeções devem iniciar até 10 de setembro, e eventuais danos terão de ser reparados antes do retorno da aeronave ao voo.

A Boeing informou que colabora com as companhias aéreas e a FAA desde 2019 para tratar do tema e apoia a diretriz, destacando que as inspeções são essenciais para evitar que problemas evoluam para situações críticas.

Simultaneamente, a FAA abriu consulta pública para uma proposta de diretriz focada nos Boeing 787 equipados com motores Rolls-Royce Trent 1000. A agência identificou um cenário altamente improvável, mas de grande impacto, que poderia resultar em uma falha não contida em ambos os motores sob determinadas condições operacionais.

Para mitigar esse risco, a FAA sugere a implementação de modificações e procedimentos obrigatórios nos motores afetados. Embora nenhum acidente tenha sido registrado em decorrência dessa falha, a medida reflete a filosofia preventiva da autoridade para evitar eventos de baixa probabilidade com consequências severas.

Essas ações reforçam o rigor da supervisão da FAA sobre a Boeing, especialmente após os acidentes envolvendo o 737 MAX em 2018 e 2019, e o incidente recente com um painel da fuselagem de um 737 MAX 9 da Alaska Airlines em janeiro de 2024.

Apesar do cenário, a FAA certificou recentemente o novo 737 MAX 7, reconhecendo avanços nos processos produtivos da fabricante, porém mantendo a fiscalização intensificada.