Eduardo Maccagnan / Foto Itália / DivulgaçãoClayton Macedo destaca avanços no tratamento da obesidade e a necessidade de acesso universal à medicina baseada em evidênciasEduardo Maccagnan / Foto Itália / Divulgação

Referência nacional, Clayton Macedo construiu uma carreira dedicada à ciência, ao ensino e à defesa da medicina baseada em evidências. Natural de Santa Maria e caxiense de coração, há 27 anos, divide sua rotina com frequentes idas a São Paulo. Graduado em Medicina pela UFSM, com residência no HCPA/UFRGS, doutorado em Endocrinologia Clínica e especialização em Medicina do Exercício e do Esporte pela UNIFESP, é professor associado, chefe do Serviço de Endocrinologia do Exercício e do Esporte da universidade e diretor da SBEM. Filho de Hugo Conceição Macedo e Helena Dornelles Macedo (in memoriam), encontra sua vocação na filha Sofia Vacaro Macedo, quase endocrinologista, e no companheiro Douglas Barbieri, também endocrinologista. Nesta entrevista, Clayton fala sobre os avanços no tratamento da obesidade, os desafios da desinformação e a importância de uma medicina ética, acessível e centrada no paciente.

Em que momento percebeu que sua voz havia ultrapassado o consultório? Foi um continuum. Sempre combati a medicina baseada no dinheiro para o prescritor. Como os hormônios e as novas medicações antiobesidade e antidiabetes são “a bola da vez”, essa má prática tomou dimensões gigantescas. Meus projetos educativos e sociais como o Bomba Tô Fora, Saindo do Suco e Vigicom Hormônios atuam como referência em congressos médicos de diferentes especialidades. Sou um ser inquieto, incomodado com o errado e sedento por fazer acontecer, por isso meu equilíbrio está exatamente em exercer simultaneamente todas essas facetas.

O que ainda não compreendemos? A ciência da obesidade evoluiu muito com o entendimento de que é uma doença e não uma opção ou relaxamento. Falta aceitação coletiva desse conceito, diminuir preconceitos e estigmas e propiciar um acesso universal ao tratamento. Luto muito por isso. Digo que “quem pode pagar emagrece, quem não pode adoece”. Isso é inaceitável. As canetas emagrecedoras mudaram a história do tratamento da obesidade.

Qual é o maior mito sobre esses medicamentos? O das falsas promessas de uso para fins estéticos e o do milagre: obesidade é uma doença crônica, complexa, multifatorial e recidivante, o reganho de peso é fisiológico e o tratamento tem que ser a longo prazo. A biologia da obesidade não é assim. Usar esses medicamentos com essa mentalidade só vai facilitar o reganho de peso, principalmente se o uso não vier acompanhado de mudança de estilo de vida.

A inteligência artificial na Medicina será uma aliada ou uma ameaça? É um avanço incrível. Me considero um grande privilegiado pois tive formação adequada e uso muito a IA para aprimorar minha performance. Mas me preocupo com os que vão usar ou usam como ferramenta exclusiva.

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Ao lado de quem gostaria de ter sentado na escola? Leonardo da Vinci. Ele foi extraordinário não apenas porque fez muitas coisas, mas porque tinha um olhar e sensibilidade únicos e entendia que tudo é interligado, conectado. Recusava a ideia de que o conhecimento pudesse ser dividido em compartimentos. Arte, ciência e técnica seriam apenas diferentes maneiras de praticar a mesma realidade.

Gostaria de ter sabido antes que… o destino é apenas uma desculpa para a vida acontecer. É no caminho que ela se transforma. Teria aproveitado ainda mais cada momento.

Qual o lugar mais longe que o destino te levou? Geograficamente, muitos lugares pelo mundo afora. Como pessoa, me levou para a conquista da autoridade, do respeito e confiança entre meus pares e meus pacientes queridos.

Que pedido faria ao gênio da lâmpada? Hoje, que nenhuma pessoa deixasse de receber um tratamento eficaz por falta de acesso.

A prevenção ainda é a palavra mais importante? Sem dúvida. Mas eu ampliaria o conceito. Prevenir não é apenas evitar doenças. É preservar saúde, autonomia, dignidade e qualidade de vida.

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