Um estudo da Universidade Northwestern e do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie revela que pais que não conseguem tirar licença do trabalho após o nascimento dos filhos apresentam maior risco de desenvolver transtornos mentais. Entre os 4 mil pais de primeira viagem analisados, aqueles que recorreram à licença não remunerada tiveram probabilidade 58% maior de apresentar sintomas de ansiedade em comparação aos que tiveram afastamento remunerado. Já os homens que desejavam tirar licença, mas não conseguiram, registraram índices ainda mais elevados, tanto de ansiedade quanto de depressão.

Outra pesquisa, conduzida pelo Instituto Karolinska, na Suécia, aponta que uma licença-paternidade equilibrada favorece o bem-estar psicológico dos homens e contribui para uma divisão mais saudável das responsabilidades de cuidado. Dados como esses vêm estimulando o mercado a rever políticas de parentalidade, a ampliar licenças e a criar ações em prol da participação ativa dos homens no cuidado com os filhos e também na equidade de gênero na sociedade – entendendo que ela começa em casa.

Entre as principais medidas adotadas por empresas nesse contexto, estão desde licenças parentais ampliadas até programas de engajamento masculino, voltados à desconstrução de estereótipos e à promoção de novos modelos de liderança e cuidado. Algumas iniciativas refletem ainda mudanças na forma como as organizações abordam diversidade e inclusão e se tornam ferramentas de transformação social, com impactos sobre saúde mental, desenvolvimento infantil e a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.

Equidade de gênero

A Roche Brasil, por exemplo, acaba de implementar a licença parental de até seis meses para todos os colaboradores efetivos, independentemente de gênero ou configuração familiar. O benefício contempla filhos biológicos ou adotivos e se aplica a casais hetero e homoafetivos, garantindo aos pais o mesmo período concedido pela empresa na licença-maternidade.

Essa ampliação é fruto projeto Men@Work, formado por colaboradores homens da empresa para discutir equidade de gênero a partir da revisão de comportamentos, decisões e dinâmicas do ambiente corporativo e do princípio de que avanços nessa agenda dependem também do envolvimento das lideranças masculinas.

Continua após a publicidade

 

Licença-paternidade ampliada: o que muda com nova lei

“A equidade de gênero depende de uma transformação cultural mais profunda, que também passa pelo engajamento dos homens”, reconhece Rodrigo Cezar, líder de eventos, viagens e estratégia & soluções integradas da Roche e um dos membros do grupo. “A licença parental é um desdobramento natural dessa visão, ao incentivar uma divisão mais equilibrada das responsabilidades de cuidado e abrir novos espaços para que homens e mulheres exerçam seu potencial de forma plena, dentro e fora do trabalho”.

Licença estendida e parentalidade ativa

Na HPE Brasil, os colaboradores têm direito a até seis meses de licença parental remunerada, um benefício oferecido globalmente pela empresa que vai além das exigências da legislação local. A política contempla casos de adoção e casais homoafetivos, e a licença pode ser utilizada em qualquer momento durante o primeiro ano de vida da criança. “Quando ambos os pais trabalham na empresa, os períodos de licença podem ser combinados”, orienta o especialista.

“Direitos iguais para mães e pais ajudam a quebrar estereótipos sobre o papel masculino no cuidado com os filhos e incentivam uma parentalidade ativa e compartilhada”, diz Raphael Costa, HR Business Partner da HPE Brasil. “Criar espaço para que os homens participem ativamente dos primeiros meses de vida de uma criança contribui para famílias mais equilibradas e ambientes de trabalho mais inclusivos”.