Uma investigação publicada pelo jornal britânico ‘The Telegraph’ revelou que a UEFA terá pago em 2016 uma indenização no total de seis dígitos a uma funcionária que terá mantido um relacionamento extraconjugal com o advogado suíço, originário do cantão italiano, Gianni Infantino, de 56 anos de idade, atual presidente da FIFA, casado desde 2001 com a libanesa Leena Al Ashqar, de quem tem quatro filhos. Tudo terá acontecido durante o período em que este ocupava o cargo de secretário-geral desta entidade que gere o futebol europeu.


Segundo o jornal, o acordo teria sido firmado após o suposto relacionamento chegar ao conhecimento de Michel Platini, então presidente da UEFA. A funcionária, cujo nome a publicação faz questão de manter anónima, ter-se-á desvinculado da entidade mediante uma compensação financeira volumosa (na casa do seis dígitos) e a oferta de um curso de MBA custeado pela sua antiga entidade patronal, numa instituição de ensino europeia cujas mensalidades chegavam a totalizar 52 mil euros por ano.


A própria UEFA confirma ao jornal que realizou o pagamento. A entidade, porém, afirma que tanto a indemnização quanto as despesas com o curso estavam de acordo com as regras vigentes para saídas de funcionários à época. Em comunicado, a UEFA declara ainda que seus regulamentos foram posteriormente endurecidos e que as normas atuais são aplicáveis a todos os funcionários, independentemente do nível hierárquico.


De acordo com fontes ouvidas pelo ‘The Telegraph’, a mulher ocupava inicialmente uma função administrativa quando terá iniciado o suposto relacionamento com Infantino. Posteriormente, foi promovida a um cargo de gestão, com um aumento salarial de aproximadamente trinta por cento, passando a receber 175 mil euros ano, 15 mil euros de ordenado por mês.


A rápida ascensão da profissional terá desencadeado questões internas na UEFA levantado suspeitas entre funcionários sobre um possível uso da posição de poder de Infantino em benefício da subordinada. Segundo relatos obtidos pela publicação, o caso terá chegado a um ponto crítico quando Platini tomou conhecimento da suposta relação extraconjugal. A partir daí, o então presidente da UEFA terá encostado Gianni Infantino à parede e tê-lo-á confrontado com duas opções: abandonar o cargo ou despedir a funcionária. Platini terá deixado claro que um dos dois teria de deixar a organização.


A escolha recaiu sobre a mulher a quem os pagamentos foram feitos respeitando as regras em vigor àquela data na instituição. A entidade acrescentou que as normas foram modificadas desde 2016 e que os regulamentos atuais buscam refletir padrões considerados adequados para uma organização de grande porte. Entretanto a FIFA, através de um porta-voz, nega categoricamente as acusações e adianta nunca ter havido uma reclamação formal de funcionários da UEFA ou da FIFA relativamente a comportamentos deste alto dirigente. “O presidente da Fifa, Gianni Infantino, nega veementemente essas alegações, que são categoricamente falsas. Qualquer insinuação de conduta inadequada ou violação de estatutos ou regulamentos é difamatória”, remata a instituição que gere o futebol mundial.


A pressão mediática e este escândalo sexual surge num momento em que Infantino se apresenta como candidato único à reeleição para a presidência da FIFA no escrutínio marcado para 18 de março de 2027, durante o 77.º Congresso da organização, que terá lugar em Rabat, Marrocos. Apesar de Gianni Infantino ser, para já, o único candidato oficialmente assumido, a crescente contestação ao presidente organização poderá abrir espaço ao aparecimento de novos concorrentes nos próximos meses.


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