Se optar por usar óculos de eclipse, não os segure simplesmente com a mão à frente da lente. O filtro deve cobrir completamente a câmara e não pode haver nenhuma abertura por onde entre directamente a luz solar. Um movimento pode deslocá-los e deixar a objectiva exposta.

A solução mais segura e recomendável é, portanto, comprar um filtro solar específico para smartphones, devidamente certificado e concebido para ser colocado na frente da câmara.

E não confunda os dois tipos de protecção: os óculos próprios para eclipses protegem os olhos; um filtro solar fotográfico protege a câmara.

Onde pode comprar os óculos para ver o eclipse solar — e o que fazer se não os arranjar a tempo

O que deve procurar é um filtro solar especificamente concebido para câmaras de smartphones, de preferência um modelo que possa ser fixado fisicamente à frente da lente.

Em Portugal, existe à venda, por exemplo, o Omegon Solar Safe Easy Cam na Astroshop Portugal. É especificamente destinado a smartphones, fixa-se com velcro e o fabricante indica conformidade com a norma DIN ISO 12312-2 e custa 6,90€. Este filtro de luz branca compacto fixa-se facilmente à câmara do Smartphone e reduz a luz solar intensa para um nível seguro.

Sim, é possível adaptar um par de óculos de eclipse certificados para cobrir a câmara do telemóvel. A própria NASA explica isso num guia específico para fotografia com smartphones.

E a CBS, citando especialistas, recomenda precisamente que se utilize um segundo par de óculos, cortando o material filtrante e colocando-o sobre a câmara, preso com fita-cola ou adesiva dos dois lados. Mas há uma condição essencial: o filtro tem de ficar preso de forma segura e cobrir completamente a lente que está a ser utilizada.

E sim, se o filtro cair, deixa de proteger a câmara: se o filtro não estiver firmemente preso, não fotografe.

Se quiser fotografar o Sol directamente com o telemóvel usando óculos de eclipse como solução improvisada, sim, a recomendação é que arranje dois pares.

Um fica para os olhos. O outro pode ser utilizado exclusivamente para adaptar o filtro à câmara. Mas há uma ressalva importante: esta não é a melhor solução. A opção mais segura é um filtro próprio para a câmara do telemóvel.

Sim, existe risco. A NASA diz que fotografar o Sol com equipamento óptico exige filtros específicos. A American Astronomical Society explica que os filtros são necessários não apenas para os olhos, mas também para proteger os equipamentos da intensa luz solar e do calor.

A imprensa especializada também é bastante explícita. A TechRadar, por exemplo, explica que, durante as fases parciais, a diferença entre a zona escura e o Sol ainda extremamente brilhante pode danificar o sensor do smartphone. A publicação cita ainda a Samsung a recomendar filtro para fotografias prolongadas antes, durante e depois do eclipse.

Não significa que uma fotografia rápida vá necessariamente destruir o telemóvel.

Um smartphone é frequentemente apontado para o Sol em fotografias de paisagem, nasceres e pores do Sol sem sofrer danos aparentes. O problema é apontar directamente a câmara para o Sol durante períodos prolongados, sobretudo utilizando teleobjectivas ou ampliações elevadas.

Resumindo: fotografar directamente o Sol sem filtro pode danificar permanentemente o sensor da câmara. O risco aumenta com a duração da exposição e com a utilização de lentes ou zoom que concentrem mais a luz.

O componente de que estamos a falar é sobretudo o sensor de imagem. Pensemos nele como a parte da câmara que transforma a luz em informação para criar a fotografia.

A luz solar é extremamente intensa. A objectiva concentra essa luz sobre uma área muito pequena do sensor. O resultado de uma exposição excessiva pode ser dano permanente no sensor.

A própria Apple avisa que fontes de luz de intensidade muito elevada podem danificar o sensor de imagem e que o resultado pode ser a presença de anomalias visíveis na imagem ou na pré-visualização da câmara. A Apple está a falar especificamente de lasers, não de eclipses, mas o princípio é directamente relevante para explicar o tipo de dano que um sensor pode sofrer com uma fonte luminosa intensa.

Ou seja, o seu telemóvel não vai deixar de funcionar por inteiro, vai continuar perfeitamente funcional, a câmara é que pode ficar danificada.

Por exemplo, pode aparecer uma mancha, um ponto, uma zona permanentemente descolorida, linhas na horizontal ou vertical e perda de qualidade.

O sintoma mais óbvio é uma marca que aparece repetidamente nas fotografias. Por exemplo, imagine que se fotografa uma parede branca ou o céu e aparece sempre um pequeno ponto escuro exactamente no mesmo sítio.

Se mudar o enquadramento e a marca continuar no mesmo ponto da imagem, pode ser sinal de um problema no sensor. Também pode acontecer o contrário: uma pequena zona demasiado clara, uma linha ou outro artefacto.

Como testar: fotografe uma parede branca ou o céu com cada uma das câmaras do telemóvel. Se aparecer sempre uma mancha ou um artefacto exactamente no mesmo ponto, pode existir um problema no sensor.
Isto é especialmente relevante nos smartphones atuais porque têm várias câmaras. Uma pode estar afetada e as outras não.