Histórias que se passam em edifícios ou construções icônicas sempre provocam novas conexões entre pessoas e lugares. Talvez o exemplo clássico disso tenha sido o livro “O corcunda de Notre-Dame”, do escritor francês Victor Hugo. Na época, a catedral estava sob o risco de ser demolida e o enorme sucesso do romance não apenas impediu isso como incentivou sua restauração. No Brasil, a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador, foi palco da peça teatral “O Pagador de Promessas”, escrita por Dias Gomes. Adaptada para o cinema por Anselmo Duarte em 1962, ganhou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes, tendo sido a primeira vez, e até agora única, em que um filme brasileiro levou o principal prêmio para casa.
Mais recentemente, Julián Fuks escreveu o livro “A ocupação”, que se passa no Hotel Cambridge, no Centro de São Paulo. Hoje em dia, o edifício se tornou um complexo residencial com moradias populares após ter sido ocupado por movimentos sociais. Seguindo essa vertente, é curioso que o lançamento “Crime no Copan”, do jornalista Victor Bonini, se passe justamente no presente, com o prédio icônico de São Paulo no centro da narrativa. Na vida real, o Edifício Copan esperou dez anos para a aprovação de sua reforma, época em que ficou bastante degradado.
Recentemente, porém, o edifício recebeu um alto valor para a nova etapa da obra de recuperação da fachada original e estrutura, também foi anunciado que seu antigo cinema reabriria em 2027. Na ficção de Bonini, a reforma não é aludida, mas há um auditório abandonado onde sangue é encontrado e diversos tipos de moradores residem nos apartamentos, como o subsíndico Santiago; a artista plástica Cecília; a maquiadora Agnes; e Lavínia, a moradora mais antiga do prédio. O livro, que já nasce com a promessa de uma adaptação para o cinema pela produtora Camisa Listrada Filmes, tem o foco em duas mortes suspeitas que passam a ser investigadas. Primeiro, morre Theo, filho do síndico; depois, Lorenzo, seu pai.