Numa era dominada por subscrições mensais e publicidade invasiva, o VLC media player destaca-se por sempre ter sido gratuito. Este leitor multimédia continua a ser um dos softwares mais descarregados do mundo sem nunca ceder à tentação do lucro comercial.
O VLC nunca quis o seu dinheiro
Desde o seu lançamento em 2001, o VLC tornou-se indispensável em sistemas como Windows, Linux, macOS, Android e iOS. Com mais de seis mil milhões de downloads, o potencial financeiro era astronómico.
No entanto, nunca vimos um anúncio ou uma tentativa de venda forçada. Isto deve-se às suas origens: começou em 1996 como um projeto académico na École Centrale Paris. Em 1998, tornou-se open-source e hoje é gerido pela associação sem fins lucrativos VideoLAN, liderada por Jean-Baptiste Kempf.
Ao contrário das grandes tecnológicas, esta organização não responde a investidores nem procura uma oferta pública de aquisição, mantendo-se fiel à sua missão puramente altruísta.
Muitas empresas tentaram adquirir o VLC para lucrar com a sua enorme base de utilizadores, mas depararam-se com uma barreira intransponível. A VideoLAN não tem um diretor executivo com direitos de capital ou um conselho de administração que possa decidir uma venda. Além disso, o código foi desenvolvido por centenas de voluntários ao longo de décadas.
Para vender o projeto, seria necessária a autorização de cada um deles. Para dificultar ainda mais qualquer tentativa de comercialização, o VLC está protegido pela licença GPL. Isto significa que qualquer pessoa pode duplicar o código livremente, tornando qualquer tentativa de aquisição comercial num investimento totalmente inútil.
Compatibilidade total com qualquer ficheiro
A grande força do VLC reside na sua capacidade de reproduzir qualquer formato, desde vídeos antigos de telemóvel até ficheiros modernos em alta resolução. Isto acontece porque a equipa desenvolveu uma biblioteca de descodificação própria baseada no FFmpeg/libavcodec, integrada diretamente na aplicação.
Desta forma, o VLC não depende dos pacotes de codecs do sistema operativo, superando facilmente concorrentes como o Windows Media Player ou o QuickTime. Mesmo os ficheiros danificados ou incompletos são lidos sem dificuldade, consolidando a sua reputação através do “passa-palavra” entre utilizadores.
Apesar de todo o mérito, o leitor não está isento de críticas. A interface visual permanece antiquada e o calendário de atualizações pode ser bastante irregular, uma vez que depende do trabalho voluntário da comunidade.
No entanto, estes pormenores estéticos nunca comprometeram o desempenho ou a segurança da aplicação. Enquanto mantiver esta estabilidade extraordinária, continuará a ser a recomendação ideal para quem procura um reprodutor multimédia de confiança.
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