O fim da Terra está inevitavelmente ligado ao futuro do Sol. A nossa estrela tem cerca de 4,5 mil milhões de anos e, dentro de aproximadamente mil milhões de anos, o aumento gradual da sua luminosidade poderá tornar o planeta demasiado quente para manter os oceanos e a actual vida à superfície. Não haverá nada que possamos fazer?

Dentro de cerca de cinco mil milhões de anos, o Sol entrará na fase de gigante vermelha, expandindo-se enormemente antes de terminar a sua evolução como anã branca.

Mas será que uma civilização muito mais avançada poderia impedir este destino?

A Terra poderia ser afastada do Sol

Uma das propostas científicas mais fascinantes passa por alterar lentamente a órbita da Terra, fazendo com que o planeta se afaste do Sol à medida que este se torna mais luminoso. A ideia foi estudada por investigadores que propuseram utilizar encontros gravitacionais controlados com grandes objectos do Sistema Solar.

Ao passar perto da Terra, um desses objectos poderia transferir uma pequena quantidade de energia orbital para o nosso planeta, aumentando a sua distância ao Sol.

O processo teria de ser repetido durante milhões de anos. A alteração provocada por cada encontro seria minúscula, mas poderia acumular-se ao longo de enormes períodos de tempo.

Seria, na prática, uma forma de utilizar a gravidade como um gigantesco mecanismo de propulsão planetária.

Outra possibilidade seria reduzir a energia recebida

Existe outra solução ainda mais extraordinária: construir uma gigantesca estrutura espacial entre a Terra e o Sol capaz de bloquear uma pequena parte da radiação solar.

Uma estrutura colocada numa região próxima do ponto de Lagrange L1 poderia reduzir a quantidade de energia que chega ao planeta. Não seria necessário bloquear completamente a luz do Sol. Bastaria compensar progressivamente o aumento da luminosidade da estrela.

O problema seria a escala. Uma estrutura deste género teria dimensões e necessidades energéticas incomparavelmente superiores a tudo o que a humanidade já construiu no espaço.

 

O Sol também poderia ser alterado

Outra hipótese estudada passa por modificar a própria evolução do Sol, removendo lentamente matéria da estrela.

Ao alterar a massa solar seria possível, em teoria, modificar a velocidade dos processos de fusão no seu interior e prolongar a fase em que a estrela permanece relativamente estável.

Seria, contudo, uma obra de engenharia à escala de uma estrela, muito além das capacidades tecnológicas actuais.

A ideia consiste em reduzir a velocidade a que ocorre a fusão nuclear no interior da estrela. Uma das hipóteses estudadas passa por remover matéria das regiões exteriores do Sol, alterando a sua massa e, consequentemente, a forma como funciona a fusão no seu interior.

A Terra poderá nem ser destruída

Existe ainda uma possibilidade curiosa. Quando o Sol perder massa durante a sua evolução, a sua gravidade diminuirá e as órbitas dos planetas poderão expandir-se.

Alguns estudos indicam que a Terra poderá eventualmente escapar a ser engolida pelo Sol e permanecer numa órbita mais distante em torno da futura anã branca.

Isso não significa que continue habitável. A vida na superfície deverá desaparecer muito antes, devido ao aumento da luminosidade solar.

O Sol aumenta lentamente a sua luminosidade à medida que envelhece. Esse processo acabará por elevar a quantidade de energia recebida pela Terra para níveis incompatíveis com a actual vida à superfície.

O princípio já foi demonstrado

A ideia de alterar a trajectória de corpos celestes também já deixou de ser totalmente teórica. Em 2022, a missão DART da NASA chocou deliberadamente contra o asteroide Dimorphos e conseguiu alterar a sua órbita. O efeito foi minúsculo à escala planetária, mas demonstrou que uma intervenção humana pode modificar o movimento de um objecto no espaço.

Mover a Terra seria, obviamente, um desafio de uma ordem de grandeza completamente diferente. Ainda assim, a física não proíbe todas estas possibilidades. O verdadeiro obstáculo é a energia, a tecnologia e, sobretudo, a escala temporal necessária.

Se uma futura civilização conseguir sobreviver durante milhões ou milhares de milhões de anos, talvez a própria órbita da Terra deixe de ser algo considerado imutável.