A berlina i3 é o mais recente eléctrico da BMW, cuja produção já arrancou na fábrica de Munique, instalações que a partir de 1952 apenas produziam automóveis com motores a combustão, depois de se ter dedicado ao fabrico de motores de aeronaves e motos desde 1922. Agora, após um investimento de 650 milhões de euros, esta fábrica está apta a produzir exclusivamente os eléctricos da família Neue Klasse. Mas a novidade mais interessante para o construtor alemão é o facto de, ainda antes de os clientes poderem conduzir (ou até ver) a berlina i3, as encomendas se terem acumulado a um ritmo superior às expectativas e, até mesmo, mais elevado do que o registado pelo também novo SUV iX3, cuja comercialização arrancou em finais de 2025.

Com uma estética que pode não agradar a todos de imediato, o i3 exibe em linhas gerais a linguagem estilística da nova família Neue Klasse, sendo óbvios os traços que possui em comum com o iX3. Ainda assim, e como o SUV foi o primeiro a surgir no mercado e as reacções não foram consensualmente positivas, as linhas da berlina surgem mais apelativas, o que explica a recepção que ambos os modelos, com a liderança em termos de encomendas a favorecer a berlina, apesar de os SUV serem os modelos mais procurados na Europa e também em Portugal.

Interior com linhas algo futuristas, sobretudo ao nível do volante

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Quando a produção do iX3 foi deslocada para Debrecen, a nova fábrica da marca na Hungria, concebida especificamente para carros a bateria, parecia expectável que os restantes membros da Neue Klasse partilhassem o mesmo destino. Motivos não faltavam, mas o maior impulso era dado pelos menores custos de produção, que em Debrecen são cerca de 70% inferiores, devido sobretudo ao custo da mão-de-obra, que é de 15,60€ em território húngaro e de 49,50€ em solo alemão. Porém, a estratégia da marca passa por produzir o i3 em Munique, em companhia de alguns dos seus “irmãos” que vão surgir em breve.

Decidida a que o i3 estreasse a primeira unidade fabril da marca concebida para veículos a bateria, a BMW revolucionou por completo a sua fábrica em Munique, junto aos escritórios centrais e sede da empresa, tudo concentrado nas históricas instalações do construtor germânico. De momento é apenas conhecida uma versão da berlina eléctrica, a i3 50 xDrive, que monta dois motores (um em cada eixo) que somam 469 cv, o que lhe permite ir de 0-100 km/h em 4,7 segundos, com a velocidade máxima a estar limitada a 200 km/h.

A “frunk” serve para guardar cabos e pouco mais e, na traseira, a bagageira tem 420 litros de capacidade

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Curiosamente, estes não são os principais trunfos do i3 50 xDrive, uma vez que é altamente provável que os potenciais clientes favoreçam mais a rapidez dos carregamentos. E este novo modelo usufrui de uma arquitectura de 800V, pelo que assegura carregamentos a 400 kW, armazenando energia para percorrer mais 423 km em apenas 10 minutos. Outro trunfo a ter em conta é a autonomia, como aliás seria de esperar, uma vez que o iX3 com a mesma bateria (capacidade útil de 108,7 kWh) — mas menos aerodinâmico (Cx de 0,24 em vez de 0,22) e mais pesado (mais 80 kg) — já percorre 805 km com uma carga completa, valor que o i3 eleva para 906 km entre recargas.

O novo BMW i3 50 xDrive abriu as encomendas em Junho e tem chegada ao mercado agendada para Outubro. A versão de lançamento do modelo em Portugal, denominada First Edition, é proposta por 74.000€, com o preço-base da versão de entrada deste mesmo modelo a arrancar nos 65.500€. O novo i3 vai entrar num segmento particularmente intenso em matéria de concorrência, onde irá enfrentar o Tesla Model 3 Premium Long Range (48.990€), o tradicional líder de vendas do segmento, mas igualmente algumas estreias com potencial, como o Mercedes C400 4Matic (70.600€), outra das novidades a ter em conta.