A maioria dos doentes com dor começa por fazer medicação ou reabilitação, mas, muitas vezes, isso não resulta. Quando esses tratamentos não são suficientes, a alternativa nem sempre tem de ser uma cirurgia. Há cada vez mais tratamentos minimamente invasivos para o alívio da dor. São realizados sem necessidade de bisturi, com uma agulha, e guiados por ecografia ou raio-X, que permitem tratar a dor sem recorrer à cirurgia aberta tradicional. Estas são intervenções com menos riscos, que proporcionam uma recuperação mais rápida e, muitas vezes, capazes de adiar ou evitar uma cirurgia.

A dor de costas é uma das queixas principais dos doentes que atendo e, sobretudo em pessoas mais velhas, a principal causa é o desgaste nas articulações que ligam as vértebras. Quando esse é o problema, os sintomas são muito característicos: a pessoa está bem sentada ou deitada, mas de pé, parada, fica com dor. Nesses casos, fazemos muitas vezes um procedimento chamado ablação por radiofrequência, feito sem necessidade de bisturi, introduzindo uma agulha através da pele, guiada por raio-X em tempo real, que cria uma lesão controlada no nervo que interrompe temporariamente a transmissão da dor ao cérebro. Com o tempo, o nervo regenera-se e a dor pode voltar. Mas, durante este período, o doente tem alívio e pode fazer fisioterapia e exercício para voltar a ganhar força muscular.

É um procedimento cujo resultado está muito dependente da técnica: exige uma destreza muito grande porque a agulha tem de estar mesmo junto ao nervo. A aprendizagem demora bastante tempo e exige muita prática. Eu tenho tido muito bons resultados: cerca de 80% dos doentes ficam bem durante um, dois anos ou três anos.

Há dois outros tipos de procedimentos que fazemos que eu vejo como o futuro do tratamento da dor: um deles é a neuromodulação, um tratamento que utiliza impulsos elétricos para alterar a forma como o sistema nervoso transmite os sinais de dor. São implantados elétrodos, junto à medula espinal ou a um nervo periférico, ligados a um gerador de impulsos elétricos colocado sob a pele e esses impulsos alteram a forma como os sinais de dor são transmitidos ao cérebro, reduzindo a intensidade da dor em doentes bem selecionados.