A missão CHEOPS vai continuar a funcionar como uma espécie de laboratório orbital, ajudando a responder a algumas das perguntas mais antigas da humanidade: como se formam os planetas e quantos deles podem ser semelhantes à Terra.
Há quase sete anos que um pequeno telescópio europeu observa estrelas distantes em busca de pistas sobre planetas que orbitam outros sóis. Agora, a Agência Espacial Europeia (ESA) decidiu dar-lhe mais tempo: a missão CHEOPS foi prolongada até ao final de 2029, numa decisão que reconhece não apenas o desempenho excecional do satélite, mas também o trabalho científico desenvolvido por equipas de vários países, incluindo Portugal.
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Lançado em dezembro de 2019, o CHEOPS – Characterising Exoplanet Satellite – não foi concebido para descobrir novos exoplanetas, mas para estudar em detalhe mundos já conhecidos. A partir da medição minuciosa das pequenas variações de brilho das estrelas, o telescópio consegue revelar características como o tamanho, a densidade e até a estrutura interna de planetas situados a dezenas ou centenas de anos-luz da Terra.
O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) continua a assumir responsabilidades importantes nesta nova fase da missão. Investigadores portugueses lideram áreas estratégicas, desde a caracterização das estrelas hospedeiras ao estudo das atmosferas exoplanetárias e dos efeitos gravitacionais extremos que deformam alguns destes mundos.
Uma das tarefas centrais da equipa nacional passa pela manutenção do sistema que transforma as imagens captadas em curvas de luz extremamente precisas. Este “tradutor digital” é essencial para garantir a qualidade científica dos dados recolhidos e continuará a ser aperfeiçoado à medida que o telescópio envelhece e surgem novos desafios técnicos.
Apesar da idade crescente do equipamento, os cientistas acreditam que o melhor poderá ainda estar para vir. Entre os fenómenos mais intrigantes observados pelo CHEOPS está o caso de WASP-103b, um gigante gasoso tão próximo da sua estrela que a sua forma é deformada pelas forças de maré. As observações do satélite europeu abriram caminho à primeira medição direta deste fenómeno, mais tarde complementada pelo telescópio espacial James Webb.
A extensão da missão permitirá também investigar um mistério que fascina os astrónomos: saber se alguns dos chamados “Júpiteres quentes” estão lentamente a aproximar-se das suas estrelas, numa espiral que poderá terminar na destruição destes planetas.
Nos últimos anos, o CHEOPS ajudou ainda a identificar sistemas planetários inesperados, como o LHS 1903, cuja arquitetura desafia as teorias tradicionais sobre a formação dos planetas. Ao mesmo tempo, trabalha em estreita colaboração com o James Webb, fornecendo observações em luz visível que complementam os dados recolhidos no infravermelho.
Para a comunidade científica portuguesa, a missão representa também uma ponte para o futuro. O conhecimento acumulado está a preparar o caminho para a missão PLATO, da ESA, prevista para 2027, e para novas técnicas de investigação, como a procura de exoluas e o estudo aprofundado da composição interna de planetas distantes.
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