Café Quinta Amarela / Facebook

Café Quinta Amarela, no Porto

É uma ajuda a um portuense com poucas posses. Este senhor tira “no mínimo cinco euros por dia”. E sobram críticas.

No café Quinta Amarela, no Porto, as embalagens Volta são entregues a um cliente habitual com poucas posses, num negócio familiar onde sobram críticas ao Sistema de Depósito e Reembolso implementado em abril.

A meia dúzia de passos da estação de metro da Casa da Música, este café está aberto desde fevereiro de 2002, sendo gerido e operado por familiares, e todos os dias entrega as garrafas de água, latas de refrigerantes e demais embalagens com depósito ‘Volta’ a uma pessoa carenciada da zona.

É, por estes dias, o segundo a receber estas embalagens, uma “ajuda”, como lhe chama David Leite, que fala à Lusa desta medida tomada informalmente no estabelecimento, de onde quase todos os dias este senhor tira “no mínimo cinco euros por dia”, ou seja, pelo menos meia centena de embalagens.

É uma forma de “ajudar um cliente com poucas posses”, que visita habitualmente o espaço, que funciona sem folga semanal e aberto de manhã às primeiras horas da madrugada, mas também uma maneira de lidar com uma “chatice” logística.

Ao balcão, David Leite mostra-se preocupado com a gestão de ‘stock’ destes invólucros pelos quais receberia reembolso, e com a forma correta de os catalogar em termos contabilísticos, uma vez que, com o avolumar das encomendas, ascenderão a milhares de euros.

Por outro lado, David Leite advoga por uma “reformulação do sistema”, sobretudo para negócios com porta aberta, apontando o que diz serem incoerências, das latas cobradas sem ‘Volta’, para serem consumidas no próprio local, às que levam o acréscimo, porque o cliente as leva para a rua, lembrando que estes podem mudar de ideias a qualquer momento.

Além da falta de informação, também defende “que haja recolha destas latas nos próprios estabelecimentos”, não só para facilitar a vida aos pequenos empresários como também para “fomentar a criação de emprego”.

“[Temos de] todos os dias encher um carro com latas, esperar horas na fila com sacos de plástico enormes, atrás de gente também com esses sacos, depois ou antes de um dia de trabalho”, lamenta.

Noutros cafés visitados pela Lusa, a recolha de embalagens é a reivindicação mais ouvida, tendo sido defendida pelos gerentes de um café e um bar do centro da cidade, que não quiseram identificar-se.

Num deles, a presença de pessoas que vêm pedir as garrafas e latas para depois devolver é constante, mas a gerência optou por manter a devolução pelos próprios meios, precisamente por uma gestão contabilística.