De origem desconhecida, o lendário e peculiar chapéu de ouro de Berlim, ou “Cappello d’oro di berlino”, chama atenção de todos que visitam o Museu de pré-história e História Antiga em Berlim. Com seus icônicos 74 centímetros e feito com uma única folha de ouro, no mundo só há mais 3 chapéus do mesmo estilo.
Surpreendentemente, o item pode ter sido feito para estar presente, ou ser utilizado, em cerimônias de culto aos astros. Assim, possivelmente servindo para prever a localização do Sol, da Lua e até mesmo de eclipses lunares.
No entanto, apesar de ser icônico, por muitos anos o artefato circulou pelo mercado de antiguidades, o que o torna irrastreável. Possivelmente, assim como os outros 3 artefatos do estilo, o chapéu vem do sul da Alemanha e no oeste da França.
O chapéu de ouro de Berlim e a astronomia
Durante a Idade do Bronze, muitas vezes figuras astronômicas eram associadas às divindades, segundo o Live Science. Por isso, conhecer o que irá ocorrer com os céus também era entender as regras da vida e da morte.
Nesse sentido, o item que só foi catalogado em 1996, possui, em seus 74 centímetros e quase meio quilo de metal, entalhes com círculos concêntricos, discos, formas ovais e demais valores que identificam valores numéricos correspondentes a um calendário.
De acordo com o arqueólogo Wilfried Menghin, cada banda representa um valor numérico que quando combinadas podem ajudar a calcular meses lunares e anos solares, bem como converter entre datas lunares e solares. Ou seja, o item carrega com ele a chave de decodificação da astronomia da época.
Matias Wemhoff diretor do Museu de Pré-História e História Antiga, disse em vídeo de apresentação do artefato:
A pessoa que usava este chapéu era portadora de um conhecimento secreto e muito especial“.
Inclusive, estima-se que havia algum tipo de tecido debaixo da estrutura para estabilizá-lo na cabeça. Assim, de acordo com Wemhoff, o sacerdote/xamã poderia usá-lo para atingir regiões mais altas e contemplar os primeiros raios de sol.
*Sob supervisão de Éric Moreira
Historiador em formação que troca qualquer “sextou” por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: