As bolsas de Nova Iorque arrancaram a semana com desvalorizações, numa altura em que as negociações entre os EUA e o Irão para um acordo de paz no Médio Oriente estão num impasse – que é já criticado pelos investidores.
Neste fim de semana, o Presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu deixar a pressão económica sobre o Irão aumentar, preferindo esta estratégia a novos ataques contra a região. “Estamos apenas a semi-negociar com eles. Limitamo-nos a observar o Irão, com a sua inflação galopante e o facto de já não ter dinheiro”, disse Trump, citado pelo site de notícias Axios.
Também hoje, nas redes sociais, o republicano exigiu que os EUA sejam recompensados, dizendo que o Irão deve responder “por todas as pessoas que mataram” em “muitos conflitos”. Ora, a instabilidade sentida no processo negocial deixa os investidores de “pé atrás”, ao mesmo tempo que vão diminuindo as esperanças de um acordo rápido para reabrir o estreito de Ormuz.
A escalada de tensões levou a que, esta segunda-feira, os preços do petróleo estejam a disparar cerca de 5%, aumentando as preocupações do mercado com uma subida dos preços da energia e, por consequência, da inflação. Este é um cenário que penaliza as ações, já que reforça a ideia de aperto da política monetária da Reserva Federal (Fed).
Neste contexto, o S&P 500 desceu 0,06% para 7.753,13 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite perdeu 0,32% para 26.605,36 pontos e o industrial Dow Jones cedeu 0,11% para 53.976,04 pontos.
“A incapacidade dos governos em manter negociações preocupa os ‘traders’ de Wall Street, que na semana passada acreditavam que o caminho para um acordo era cada vez mais estreito”, disse José Torres, da Interactive Brokers, à Bloomberg.
Já Chris Larkin, do Morgan Stanley, afirmou que “os mercados podem estar menos propensos a reagir positivamente a relatos vagos sobre o progresso nas negociações”. “O relatório sobre a criação de emprego pode ter amenizado algumas ansiedades sobre um aumento da taxa de juro da Fed no próximo mês, mas estas preocupações podem atingir novos níveis sem números de inflação mais baixos do que o esperado esta semana”, acrescentou.
O próximo grande teste aos mercados financeiros estará nos dados da inflação norte-americana de julho.
Entre os principais movimentos de mercado, as ações da Nvidia caíram 2,86% depois de o Financial Times avançar que a empresa está a preparar um pacote de financiamento de 500 mil milhões de dólares com alguns gigantes de Wall Street, a ser aplicado no desenvolvimento de infraestruturas para inteligência artificial.
Já a GameStop, liderada pelo CEO Ryan Cohen, cedeu 1,93% após a Bloomberg ter noticiado que a empresa está a considerar retirar a sua oferta de 56 mil milhões de dólares pela eBay.
Já a Microsoft subiu 1,2% depois de anunciar que planeia aumentar “significativamente” a produção dos seus chips de inteligência artificial (IA).
A Apple tombou 1,5% com a revisão em baixa da recomendação por parte da Jefferies para um desempenho “abaixo da média”.
Por fim, a Intel mergulhou mais de 4%, numa altura em que planeia oferecer 15 mil milhões de dólares em novas ações, naquela que poderá ser a sua primeira oferta pública de ações desde que a fabricante de chips abriu o capital em 1971, numa tentativa de alargar a recuperação e capitalizar com o “boom” da IA.