Vale da Rosa passou por um período de indefinição, mas um ano depois olha para o futuro com confiança. O que mudou na produtora de uva sem grainha? “Perspetivas são boas, mas temos caminho a fazer”.
Um ano depois do PER, que permitiu renegociar as dívidas de 16 milhões à banca e fornecedores, respira-se de alívio em Ferreira do Alentejo. Um dos maiores empregadores da região – que no pico da atividade chega a empregar cerca de 800 trabalhadores – salvou-se da falência e agora, na Herdade Vale da Rosa, produtor de referência de uva sem grainha, olha-se com confiança para o futuro, já sem o controlo da família Silvestre Ferreira, mas antes com dois acionistas espanhóis no comando.
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Este ano, a campanha de apanha de uva arrancou uma semana mais cedo, há cerca de um mês. A colheita de 2026 deverá entregar 3.400 toneladas, em linha com o ano passado, ainda que a área de cultivo tenha sido reduzida em 25 mil hectares. O calibre (tamanho) e brix (teor de açúcar) da fruta dão otimismo para o muito que ainda resta para apanhar, cerca de 80%, conta-nos António Garcia, diretor-geral da empresa, a partir da herdade.
“Neste momento, temos cerca de mais de 20% das vendas do que tínhamos nesta data em 2025”, adianta em entrevista ao ECO. “As perspetivas são boas, mas sabemos a empresa tem um caminho para fazer. Não pretendemos alcançar num crescimento exponencial em um, dois ou três anos, não é essa a intenção. Queremos solidificar a operação”, avisa.
António Garcia, diretor-geral da sociedade agrícola Vale da Rosa
Hugo Amaral/ECO
Aprendeu-se com alguns erros do passado recente. O Vale da Rosa concentrou a produção em exclusivo na uva sem grainha e nas variedades mais rentáveis. Passou a comprar uva em Itália e outros mercados internacionais para comercializar na época em que não tem produção. “Conseguimos manter vendas estáveis e em contínuo desde julho de 2025 até maio de 2026.” Além disso, diversificou os mercados exportadores para não ficar dependente de poucos grandes clientes nacionais. Mais de metade da produção vai para fora, sobretudo Inglaterra.
Mas a aposta nos mercados internacionais vai forçar o Vale da Rosa a novos investimentos para reforçar a capacidade de armazenamento e frio. O plano ainda está a ser desenhado, mas António Garcia revela que rondará os dez milhões de euros nos próximos três a quatro anos.
Com a uva produzida na herdade a chegar às prateleiras dos supermercados, há uma novidade a ser lançada: um novo formato de embalagem familiar, com 750 gramas e com um inovador sistema ‘abre e volta a selar’, para assegurar a qualidade da uva por mais tempo dentro do frigorífico das famílias.
Passou um ano desde o processo especial de revitalização (PER), o que é que mudou aqui no dia-a-dia da Herdade?
O conceito do negócio manteve-se. Não houve uma alteração significativa. Durante 25 anos o Vale da Rosa foi uma empresa focada 100% na cultura da uva e mantém-se uma empresa 100% focada na cultura da uva.
Ainda assim, tivemos algumas alterações. Passamos a focar a 100% na uva sem grainha. Até ao final de 2025, o Vale da Rosa produzia variedades com grainha e variedades sem grainha. Após a campanha de 2025 decidimos avançar só para as variedades sem grainha. O consumidor valoriza muito mais uma variedade sem grainha. Acreditamos que o consumo de uva em fresco vai estar assente, essencialmente, nas variedades sem grainha.
Por outro lado, o Vale da Rosa sempre vendeu o que produzia. Mas tinha uma elevada sazonalidade, quer em termos operacionais aqui na herdade, quer em termos comerciais. Não estava presente no mercado durante 12 meses, concentrando a sua atividade entre julho e novembro. O que nós optámos por fazer? Quando terminámos a nossa a campanha de produção em Portugal no ano passado, começámos a comprar fruta noutras regiões. Essa fruta passou pelas nossas instalações, foi avaliada a qualidade dessa fruta e se a fruta estivesse dentro dos nossos padrões de qualidade, comercializámos essa fruta.
E como é que resultou?
Resultou bem. Conseguimos manter vendas estáveis e em contínuo desde julho de 2025 até maio de 2026. Depois tivemos um período entre maio e início de julho em que não havia fruta que se enquadrava com os nossos padrões de qualidade e decidimos sair do mercado. Estivemos fora esses dois meses e retomámos com a nossa campanha de 2026. O balanço é positivo, obviamente temos coisas a afinar, foi o primeiro ano que fizemos. Viajámos bastante durante estes últimos seis meses.
De onde é que vem essa uva que não é produzida cá?
Comprámos em Itália, depois transitámos para Peru, África do Sul e Chile. Essencialmente foram estas geografias, que são as geografias que movimentam volumes.
Como é que está a empresa atualmente em termos financeiros?
A empresa Vale da Rosa está mais sólida. Havia uma grande dispersão de dívida por muitos bancos, muitos fornecedores, e precisava ser renegociada. O PER permitiu que se renegociasse a dívida, concentrá-la num só sítio, e que a empresa pudesse ter um plano de amortização e um plano de sustentabilidade.
Neste momento conseguimos viver o dia-a-dia de forma tranquila. Também integramos um grupo, entraram dois investidores, a Iberian Premium Fruits, que é o investidor maioritário do capital do Vale da Rosa, e a SanLucar. Estamos no processo de integração num grupo que nos aporta a todos os níveis, quer na organização financeira, quer na organização operacional. Temos esse know-how de dois grupos importantes que permitem e que percebem também do negócio.
Primeiro era passar a campanha de 2025. Concretizámos. Começámos a comprar fruta e a comercializar praticamente o ano todo. Cumprimos. Estamos na campanha de 2026, já na quarta semana. Neste momento temos cerca de mais de 20% das vendas do que tínhamos nesta data em 2025.
António Garcia, diretor-geral da sociedade agrícola Vale da RosaHugo Amaral/ECO
As perspetivas são boas?
As perspetivas são boas, mas sempre com cautela, porque sabemos a empresa tem um caminho para fazer, mas está dentro do que planeamos. Não pretendemos alcançar num crescimento exponencial em um, dois ou três anos, não é essa a intenção. Queremos solidificar a operação.
Fizemos um trabalho da passagem das variedades e, mesmo dentro de variedades sem grainha, reduzimos o número de variedades. Quando começámos tínhamos 28 variedades, temos neste momento 20 e possivelmente para o ano teremos menos. Estamos a concentrar no que é apelativo em termos comerciais, no que é apelativo em termos financeiros.
As perspetivas são boas, mas sempre com cautela, porque sabemos a empresa tem um caminho para fazer, mas está dentro do que planeamos. Não pretendemos alcançar num crescimento exponencial em um, dois ou três anos, não é essa a intenção. Queremos solidificar a operação.
António Garcia
Olhando para o último ano, quais é que foram os principais desafios?
O grande desafio é a parte de recursos humanos. Quer trabalhadores não especializados, quer cargos com elevada especialidade, é muito difícil encontrar nos dias de hoje. É um problema que não específico aqui da zona onde estamos, mas acho que é nacional, há muita dificuldade de contratação.
É muito difícil e numa região onde há poucas pessoas, onde há poucos alojamentos, tudo isto se torna mais complexo. Estamos a falar — no período de colheita temos à volta de 800 pessoas aqui — de uma necessidade muito grande. Requer muitos desafios, quer na procura, quer também depois no que se traduz em custos, porque também sabemos que quando há dificuldades de mão-de-obra, o custo aumenta.
Sentem essa pressão em termos de custo da mão-de-obra dada a escassez?
Sim. Houve um aumento do salário mínimo de 6% em janeiro. Quando recorremos a trabalho temporário, esse aumento é superior a esse valor. Há um aumento considerável na mão de obra, há um aumento brutal nos custos energéticos…
Quanto é que a fatura energética subiu?
Em muitos casos praticamente duplicou os custos. É desafiante o que temos pela frente, mas essencialmente aqui é a questão da mão-de-obra, porque é um negócio exclusivamente com recurso à mão de obra e, portanto, temos aí o grande desafio para os próximos anos.
O Vale da Rosa é um grande empregador da região…
É uma responsabilidade e foi uma responsabilidade que a empresa sempre assumiu. São muitas pessoas que passam por aqui anualmente. Traz essa responsabilidade, mas também traz esse desafio.
A campanha de apanha da uva na Herdade do Vale da Rosa já começou no início de julho.Hugo Amaral/ECO
Como é que arranjam o alojamento para estes 800 trabalhadores aqui nesta zona?
É uma combinação entre alojamentos próprios, que não são muitos, mas temos alguma capacidade de alojamento da empresa, e depois com as empresas de trabalho temporário com quem trabalhamos nesta época do ano, elas também fornecem e há muitos outros trabalhadores.
Dentro desses 600 a 800, há muitos trabalhadores que já estão aqui o ano todo, portanto, eles próprios também já têm alojamento aqui, alguns saem para outras épocas do ano, para outros trabalhos, para outras regiões, mas depois voltam, portanto, também já há aqui alguma dinâmica de “entra e sai”.
Temos de encontrar de soluções para os próximos anos. Para os imigrantes que chegam, quando não há alojamento, é muito difícil fixarem-se. É um desafio contínuo e constante.
Que percentagem é que a portuguesa e a estrangeira a trabalhar aqui?
No pico, diria que mais de 80% são não-portugueses. Os 20% que são portugueses correspondem, essencialmente, à estrutura anual. Também temos muitos imigrantes desde o Peru, o Venezuela, a Albânia, a Ucrânia mesmo na estrutura e que fica cá durante 12 meses. A nossa estrutura não é 100% portuguesa, longe disso.
Temos aqui uma combinação de mais de 20 nacionalidades ao longo do ano. Temos de dar formação nas épocas de menos trabalho, formação de língua portuguesa. Imaginem, 20 nacionalidades, todos no mesmo espaço… às vezes é hilariante.
O que é que foi mais difícil neste processo? Foi renegociar tudo com os credores, encontrar um investidor ou a família ter de abdicar do controlo da empresa?
Eu não lidei diretamente com o PER, foi negociado pela família Silvestre Ferreira, quem tinha toda a gestão da empresa. A procura de investidores foi feita pela família. Estava aqui a acompanhar a família desde dezembro de 2024 até abril, quando entrei nas funções que tenho hoje.
O maior desafio aqui foi efetivamente a dívida que existia, o negócio que existia, encontrar este equilíbrio entre a dívida, que estava muito dispersa. Era preciso encontrar uma solução forte para essa dívida e encontrar investidores que também conhecessem o negócio. É um negócio muito particular. Aqui à volta não há praticamente produtores ou há poucos produtores de uva de mesa. É um negócio muito específico e é necessário que se conheça desse negócio.
A dificuldade acho que foi, por um lado, como organizar essa dívida e, por outro, encontrar investidores que, no dia seguinte, conseguissem levar o negócio do Vale da Rosa sem dar passos atrás.
O maior desafio aqui foi efetivamente a dívida que existia, o negócio que existia, encontrar este equilíbrio entre a dívida, que estava muito dispersa. Era preciso encontrar uma solução forte para essa dívida e encontrar investidores que também conhecessem o negócio. É um negócio muito particular. Aqui à volta não há praticamente produtores ou há poucos produtores de uva de mesa. É um negócio muito específico e é necessário que se conheça desse negócio.
António Garcia
Durante esse período sentiu alguma tensão, alguma ansiedade dentro da empresa?
Não. Talvez nos meses antes, entre janeiro e final de março, onde havia um ponto de interrogação em relação ao futuro do Vale da Rosa. Nesse momento poderia haver alguma instabilidade de quem cá estava, sobre o que é que ia acontecer à empresa. A partir do momento em que a família chegou a um acordo com os investidores, no final de março de 2025, a partir daí, todos eles ganharam um ânimo de ajudar a empresa a dar a volta.
António Garcia, diretor-geral da sociedade agrícola Vale da RosaHugo Amaral/ECO
Como é que a família Silvestre Ferreira ainda intervém no negócio? Como é que ainda está presente?
A família está representada no conselho de administração do Vale da Rosa. É aí onde tanto a família como todos os investidores vão acompanhando o dia-a-dia da empresa, têm o seu espaço de poder sugerir, aportar à empresa. Não houve um desligamento da família à empresa.
A família teve a empresa durante 25 anos, continua a haver muitos processos, essencialmente, administrativos, que têm de passar pela família. Ao longo do tempo isto vai diminuindo, mas vamos contactando com eles, com alguma frequência, porque há sempre situações e temas por ir fechando.
Os bancos tiveram um papel também determinante na evolução deste PER e no desfecho. Como é que é a relação atual com a banca?
Foi quem permitiu que o PER tenha sido aprovado, foi uma peça-chave também para o futuro do Vale da Rosa. Todos acreditaram que, com este plano, o Vale da Rosa tinha futuro, conseguimos “convencer” e conseguimos fazer com que tanto bancos como outros fornecedores acreditassem no negócio.
No final do ano passado, o Vale de Rosa recebeu um investimento de superior a 13 milhões do Banco Português Fomento e de 5,7 dos dois acionistas espanhóis. Em relação a este investimento do Banco Português Fomento, como é que estruturado este investimento?
Esse investimento serviu para pagar a dívida que existia e concentrar a dívida que existia do Vale da Rosa.
Junto dos bancos?
Junto dos bancos. Esse investimento serviu para saldar as dívidas que existiam à data, concentrar a dívida no Banco Português de Fomento e a partir de agora irmos trabalhando em conjunto para poder ter essa dívida e pagá-la de forma sustentável.
E a outra parte, que começámos a fazer ainda de forma ligeira, quer por parte dos investidores, quer do Banco Português de Fomento, serviu para investimentos em termos de maquinaria e pequenas obras de infraestruturas que tivemos de fazer.
2026 ainda é um ano relativamente baixo em termos de investimentos, mas estamos a preparar um plano de investimentos para os próximos três anos. É necessário investir em diversas áreas, continuar a reconverter as variedades, crescer em termos de infraestruturas de armazenamento e frio. Contamos ter um plano até ao final do ano.
Mas já tem uma ideia de quanto é que vai ser preciso investir nos próximos três anos?
Vamos precisar de cerca de dez milhões de euros nos próximos três a quatro anos. Uma grande parte deste valor será para investir na parte do armazenamento e do frio. Vivemos limitados em termos de espaço e de capacidade de frio para as toneladas que produzimos. O Vale da Rosa exporta cerca de 50% da sua fruta e essas capacidades ainda são mais colocadas ao limite. Temos esse plano de fazer esse investimento nos próximos anos.
António Garcia, diretor-geral da sociedade agrícola Vale da RosaHugo Amaral/ECO
“Não vamos só ter o cacho perfeito a valer 100 euros. Há um equilíbrio entre custo e benefício”
Quais é que são as perspetivas para esta campanha?
Iniciámos uma semana antes, vamos com cerca de 20% acima de vendas do que tínhamos nesta data. Pretendemos cumprir o que tínhamos orçamentado, que basicamente é à volta das 3.400 toneladas de venda de fruta, que mais ou menos está em linha com o que tivemos no ano anterior — recordo que retirámos 25 hectares do que tínhamos. O que estamos a dizer é que com menos área pretendemos fazer os mesmos quilos de fruta. Como? Com mais produtividade por hectare no campo, com melhor aproveitamento da fruta nos nossos armazéns, e é essa combinação que acreditamos que vamos conseguir.
A uva Vale da Rosa já está a chegar aos supermercados. Quais são as indicações que têm até agora da recetividade do consumidor?
Boa, as vendas é o principal indicador, não é? Vamos conseguindo vender acima do que tínhamos feito. Este ano temos 100% sem grainha, também a nossa dinâmica comercial mudou ligeiramente. Estamos a ter fruta de calibre muito superior ao que tivemos na campanha passada. O calibre é um dos principais fatores diferenciadores da fruta e que o consumidor mais valoriza.
Herdade do Vale da Rosa
Hugo Amaral/ECO
Fui ao Aldi e vi uva Vale da Rosa sem grainha e outra que custava metade do preço. Como é que conseguem captar o interesse do consumidor, com as restrições que todos nós conhecemos, com aumento do custo de vida?
Não sei o preço a que os outros vendem, mas acreditamos que a nossa fruta seja mais cara do que a generalidade dos produtores, porquê? Fazemos um trabalho muito especializado, planta a planta, porque que é mesmo planta a planta, cacho a cacho e bago a bago. Todos os cachos são passados várias vezes por várias pessoas para poder deixar um número de bagos certo para ter um determinado calibre e para ter um determinado teor de brix, que é o teor de açúcar. Isto é feito tudo de forma muito minuciosa.
Poderia pôr nas minhas vinhas a produzir 60 toneladas por hectare. As plantas dão, mas os calibres não iam ser os mesmos, o teor de açúcar não ia ser o mesmo. Obviamente que há que encontrar um equilíbrio. Não digo que vamos só ter o cacho perfeito e esse cacho vai valer 100 euros. Há um equilíbrio entre custo e benefício. Estamos a fazer um trabalho muito detalhado nessa área de quanto é que nos custa, como é que nós podemos baixar custos.
Acima de tudo, trabalhamos para um produto de qualidade e, por isso, também 50% da nossa fruta que é exportada, são clientes de outros países que vêm especificamente aqui buscar a nossa fruta e é por algum motivo, podiam ir buscar a outro lado qualquer e vêm buscá-la aqui.
“Poderia pôr nas minhas vinhas a produzir 60 toneladas por hectare. As plantas dão, mas os calibres não iam ser os mesmos, o teor de açúcar não ia ser o mesmo. Obviamente que há que encontrar um equilíbrio. Não digo que vamos só ter o cacho perfeito e esse cacho vai valer 100€. Há um equilíbrio entre custo e benefício. Estamos a fazer um trabalho muito detalhado nessa área de quanto é que nos custa, como é que nós podemos baixar custos.”
António Garcia
Quais é que são os principais mercados internacionais que gostam da uva Vale da Rosa?
O mercado inglês é um mercado onde ao longo dos últimos anos tem havido um amadurecimento de relação com vários clientes. Temos conseguido aí crescer e tem muito a ver com esta confiança que os clientes têm na nossa fruta, sabem que é diferente, em que nós lhe entregamos também um serviço de qualidade. Muitas vezes não é só fruta, não é só entregar uma fruta bonita e boa, é preciso que chegue lá no dia certo.
Temos conseguido crescer no mercado de exportação. Inglaterra, efetivamente, é o principal mercado, mas destaco outros, como Espanha, como Holanda, França, Bélgica, também no Médio Oriente.
Esperam aumentar as exportações ou o mercado nacional continuará a ser a principal aposta?
Diria que vamos estar mais ou menos em linha do que fizemos em 2025. Com 20% da campanha feita, é difícil ter certeza deste número, mas estará mais ou menos entre 50% a 60% da fruta exportada no período de campanha nacional.
Hugo Amaral/ECO
Uma parte dos problemas que levou ao PER deveu-se ao facto de grandes superfícies terem deixado de comprar aqui no Vale da Rosa. O que é que aconteceu exatamente? Porquê é que eles de repente deixaram de comprar Vale da Rosa?
Sobre esse momento não lhe consigo dar grande explicação, porque também não estava cá. Entendo que foi uma estratégia comercial dessas duas cadeias de distribuição, por algum motivo decidiram não continuar a comprar uva ao Vale da Rosa.
Como é que a empresa respondeu a essa situação de num espaço curto de tempo, perder uma quantidade considerável de vendas? O mercado de exportação cresceu.
Quanto é que era em 2024 a exportação?
Não representava mais do que 20%, se descontarmos, por exemplo, o caso que falou da Biedronka, que também era exportação, mas estava dentro do grupo Jerónimo Martins. Agora representa 50%. Portanto. Fomos buscar mais clientes, fomos buscar mais mercados. E em termos nacionais, estamos mais ou menos com o portfólio de clientes que já tínhamos e a tentar crescer com cada um deles.
Quem é que são os principais clientes neste momento?
Sonae (Continente), Aldi, Intermarché, Auchan, El Corte Inglês. São todos esses clientes que o Vale da Rosa já trabalhava e que continua a trabalhar.