As câmaras dos drones de vigilância K3 Scout, usados pelas forças especiais da Marinha britânica, tinham componentes de origem chinesa quem estavam a enviar dados para a China, obrigando o Ministério da Defesa a cortar a ligação à internet dos equipamentos.
Segundo o jornal britânico The Telegraph, surgiu uma situação grave de segurança associada à Marinha Real britânica. Segundo a investigação do jornal, as câmaras instaladas nos drones de vigilância K3 Scout, usados pelas forças especiais do Reino Unido, incluindo os dos Royal Marines e do Special Boat Service (SBS), continham componentes fabricados na China que estavam a transmitir secretamente informação para um dispositivo localizado naquele país.
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A frota de drones, avaliada em 12 milhões de libras, aproximadamente 14 milhões de euros, está em utilização desde março deste ano. Segundo o Ministério da Defesa britânico (MoD), as transmissões detetadas correspondiam apenas a “comunicações de heartbeat”, ou seja, sinais que confirmam que o equipamento está ligado e a funcionar normalmente, sem indícios de que dados ou sistemas do ministério tenham sido acedidos, comprometidos ou enviados para o exterior. Ainda assim, assim que a falha foi identificada, o MoD viu-se obrigado a retirar toda o acesso a qualquer tipo de conectividade às câmaras.
Segundo o utilizador @NavyLookout no X, as câmaras e os sensores de Infravermelhos são da série Night Navigator 3000 da empresa canadiana Current Scientific Corporation.
Os drones foram fornecidos pela Kraken Technology Group, uma empresa britânica de defesa, que por sua vez adquiriu as câmaras a um fornecedor externo que tinha dado garantias sobre a segurança dos componentes utilizados. Em resposta, a Kraken Technology Group reconheceu que algumas câmaras de terceiros, apesar de alegadamente em conformidade com as regras de segurança norte-americanas (NDAA), continham um pequeno número de componentes de origem não britânica.
A frota de drones marítimos autónomos K3 Scout custaram 12 milhões de libras, cerca de 14 milhões de euros
Porém, a empresa garantiu que, após uma auditoria completa realizada em conjunto com a Marinha Real, não foram partilhadas informações sensíveis fora dos canais previstos, e que as eventuais vulnerabilidades identificadas já foram corrigidas. O caso gerou receios adicionais junto de responsáveis de segurança, uma vez que estas embarcações não tripuladas terão operado nas proximidades de reuniões sensíveis com pessoal do SBS, e há ainda quem levante a hipótese de as câmaras poderem continuar a gravar, mesmo com os drones desligados.
De acordo com fontes citadas pelo jornal britânico, os K3 Scout faziam parte de um pacote de defesa que o Reino Unido pretendia disponibilizar para ajudar a garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Após este incidente, a confiança depositada nesta plataforma foi colocada em causa, com uma fonte ligada ao MoD a admitir tratar-se de “uma grande falha em verificação da origem dos componentes”.
O K3 Scout é uma embarcação de superfície não tripulada capaz de transportar uma carga útil de 600 quilogramas e de operar de forma autónoma durante 30 dias. Esta integra o projeto Beehive, através do qual a Marinha Real pretende combinar este tipo de sistemas autónomos com os seus navios de guerra tradicionais. O mesmo modelo já foi também adquirido pelo Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos e testado em exercícios da NATO, o que alarga o alcance das preocupações levantadas por este caso.
Este episódio surge numa altura em que o Reino Unido tem vindo a reforçar, de forma significativa, o investimento em tecnologia de drones, com um pacote superior a 5 mil milhões de libras aplicados numa aposta declarada em fornecedores britânicos. Esta situação acaba por sublinhar até que ponto a China continua a manter uma presença relevante nas cadeias de fornecimento de equipamento tecnológico, mesmo quando este é comercializado como sendo de fabrico britânico.
Estados Unidos proíbem drones da DJI e de outros fabricantes chineses
A ameaça estava no ar e concretizou-se. Os Estados Unidos proibiram a venda de drones e componentes da DJI no…
Este caso surge ainda depois de, nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) ter revelado estar a ponderar alargar as atuais restrições aplicadas a novos drones da DJI também aos modelos já disponíveis no mercado norte-americano. Este é um claro sinal de que o escrutínio sobre a segurança de equipamento tecnológico de origem chinesa deverá intensificar-se em vários países ocidentais num futuro próximo.
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