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Fotografo o céu nocturno desde a década de 1990 e já documentei mais de uma dezena de eclipses nos sete continentes.
O eclipse que está a chegar será uma oportunidade incrível de captar imagens extraordinárias, desde a actividade do Sol a sombras em forma decrescente projectadas no solo. Para ter a certeza que está pronto, dizemos lhe aquilo que precisa de saber para proteger os seus olhos, escolher o equipamento certo, planear as suas fotografias e, talvez o mais importante, preparar-se para a grande emoção que é observar um eclipse total.

Babak Tafreshi
Captei esta imagem do eclipse total de 2017 acima de formações rochosas e do rio Crooked, na zona central do estado de Oregon.
Fotografar em segurança durante o eclipse
O facto de haver menos Sol durante um eclipse não significa que seja seguro olhar directamente para ele. O Sol continua a poder lesionar os seus olhos nos instantes antes e depois da totalidade. Para o observar em segurança, precisará de óculos de eclipse (ou “observação solar”), que são milhares de vezes mais escuros do que os óculos de sol normais.
Em segundo lugar, deve arranjar filtros solares para a sua câmara. Não pode usar óculos de eclipse para olhar através de uma lente fotográfica, telescópio ou binóculos – os raios solares concentrados irão queimar o filtro e alcançar os seus olhos. Os óculos de eclipse também não serão suficientes quando colocados à frente destes dispositivos. Utilizando filtros solares, não precisará dos óculos de eclipse.
Apesar de a totalidade ser a única altura em que pode olhar para o eclipse em segurança sem protecção, esta pode começar e acabar depressa – por isso, esteja preparado para remover o filtro alguns segundos antes. Tenha cuidado para não olhar através do visor óptico até o Sol estar completamente obscurecido.
Assim que vir um pedacinho do Sol reaparecer após a totalidade, volte imediatamente a colocar os seus óculos de eclipse ou filtro solar.
Babak Tafreshi
Esta sequência mostra o eclipse solar total de 2009 junto à ilha de Iwo Jima, no Oceano Pacífico. A totalidade é visível no centro e o efeito de “anel de diamante” de ambos os lados.
Compondo a sua fotografia do eclipse
De onde deve fotografar o eclipse? O primeiro passo é decidir se quer utilizar umagrande angular ou uma teleobjectiva. Se escolher uma grande angular, poderá querer incluir aspectos da paisagem na sua imagem, como as cores do horizonte ou as nuvens do céu. Pense também em integrar pessoas, animais selvagens e árvores na sua composição. Em locais com árvores, o eclipse projectará a luz solar com a forma de um crescente no solo – um efeito muito fotogénico – durante a fase de parcialidade.

Se tiver acesso a uma zona elevada, pode também ver e fotografar a sombra da Lua a aproximar-se e afastar-se no solo. Também poderá ver faixas de sombra – faixas de luz deslocando-se rapidamente – se tiver uma superfície branca ou de cor clara à sua volta.
Se optar por uma teleobjectiva, é melhor posicionar-se junto à linha central, onde a totalidade dura mais tempo, para aumentar as probabilidades de captar pormenores da corona e proeminências, ou erupções solares. Este tipo de grandes-planos pode ser captado em qualquer ponto do trajecto do eclipse.
Mantenha-se atento aos cinco segundos antes e depois da totalidade para ver um dos mais belos espectáculos do eclipse: o Sol espreitará atrás da Lua, emitindo um clarão ligado a um anel de luz fino em redor da luz – o chamado “anel de diamante”.
A totalidade não provoca escuridão total. Na verdade, o céu fica mais luminoso do que numa noite de Lua cheia, criando um efeito no qual os planetas mais brilhantes e algumas estrelas serão visíveis. Também poderá ver Vénus e Júpiter de cada lado do eclipse – e até um cometa.
Babak Tafreshi
Um eclipse solar parcial (antes e depois da totalidade) assume a forma de Sol crescente quando projectado através de buracos minúsculos perfurados num cartão.
Equipamento para fotografar eclipses
Para captar uma imagem nítida, terá de arranjar um bom tripé e um comando à distância para não abanar a câmara no momento crucial. Se não tiver um comando à distância, use um temporizador. Além disso, proteja a câmara do vento, sobretudo se usar uma teleobjectiva. Se tiver uma DSLR, use a função mirror lockup para evitar vibrações.
A minha lente preferida para fotografar eclipses tem um alcance de 400 a 600 mm para grandes-planos e 14 a 20 mm para grandes-angulares. Sugiro que mantenha o ISO baixo e a exposição entre 1/2 e 1/10 de segundo ou mais rápido. Use o foco manual, pois o foco automático baralha-se durante os eclipses.
Mesmo que esteja a fotografar com um telefone, arranje um pequeno tripé ou suporte e active o formato RAW para obter um melhor alcance dinâmico – o alcance entre os pontos mais claros e mais escuros da imagem.
Babak Tafreshi
Composição do eclipse solar total de 2017 acima das montanhas Grand Teton e do lago Solitude.
Ter uma reacção humana a um eclipse
Tenha em mente que terá uma reacção humana ao evento. Em 1995 assisti, ao meu primeiro eclipse solar total na fronteira entre o Afeganistão e o Irão. O eclipse durou 15 segundos no total. Eu tinha páginas e páginas de apontamentos sobre o que iria fazer com duas câmaras durante aqueles 15 segundos – mas o eclipse começou, eu olhei para cima e, de repente, tinha acabado.
Apercebi-me de que, durante um eclipse, há uma parte muito profunda de nós que reage à escuridão. Já vi pessoas chorar e rir. Temos de estar preparados para esta reacção humana para termos um bom resultado. Recomendo que utilize um temporizador ou aapp Solar Eclipse Timer para o avisar sobre os momentos importantes.
Em 2008, eu estava no sul da Sibéria e decidi tirar fotografias panorâmicas do eclipse sem utilizar um tripé. Achei que já tinha visto vários eclipses – mas com a descida brusca da temperatura, a minha mão começou a tremer e eu não consegui fazer aquilo que planeara. Por isso, mesmo tendo experiência, é melhor usar um tripé.
A coisa mais importante é tentar ver o eclipse. De outra forma, não vai desfrutar da experiência. Tente aproveitar o momento, especialmente se for a sua primeira vez e não tiver uma nova oportunidade tão cedo.