Foi a primeira vez que um ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol visitou Ceuta. Doze dias após o fluxo migratório sem precedentes na fronteira, José Manuel Albares reuniu-se com o presidente da cidade autónoma, Juan Jesús Vivas. Numa conferência de imprensa após o encontro, o ministro garantiu que “até à última pessoa que entrou ilegalmente em Espanha regressará a Marrocos”, sublinhando que essa é a “expressa vontade” de Rabat. Albares, segundo o El País, assegurou ainda que nenhum migrante chegou à Península Ibérica.
“Ninguém saiu da cidade em direção ao continente, nem pode sair“, disse Albares, citado pelo jornal espanhol, procurando tranquilizar tanto a Espanha continental como os restantes parceiros europeus perante as preocupações geradas pela entrada em massa de mais de 70 mil pessoas provenientes de Marrocos nos dias 30 e 31 de julho. “Ninguém vai ficar em Ceuta, nem em Espanha, nem na Europa”.
Apesar de ter assegurado que os migrantes que entraram irregularmente em Ceuta serão devolvidos a Marrocos, José Manuel Albares não avançou qualquer calendário para a concretização dos repatriamentos. O ministro reconheceu que o processo está sujeito a decisões judiciais e ao enquadramento legal espanhol, mas sublinhou que a prioridade é restabelecer a normalidade na cidade autónoma “o mais rapidamente possível”, bem como o regresso de todos os menores.
Ceuta faz recontagem por não saber com exatidão quantos menores entraram no território
Durante a conferência de imprensa, o ministro espanhol descreveu a fronteira de Ceuta como “a mais complexa de Espanha e da Europa” e garantiu que a integridade do Espaço Schengen está “plenamente assegurada” entre o enclave e Melilla.
Segundo Albares, Marrocos “não pediu nada em troca” pelo regresso dos seus cidadãos e tem demonstrado empenho “em evitar que este tipo de situações se repita”. O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol afirmou ainda manter contacto diário com o seu homólogo marroquino, Nasser Bourita, garantindo que os canais diplomáticos entre os dois países estão a “funcionar”. “Foi isso que permitiu o regresso de milhares de pessoas em poucas horas”, acrescentou, citado pelo El Mundo.
José Manuel Albares enviou uma mensagem aos migrantes, que recebem informações falsas sobre o que podem ganhar ao entrar irregularmente em Ceuta, que aguardam em Marrocos ou “em qualquer outro lugar em África”.
“Não arrisquem as vossas vidas, o vosso dinheiro e o vosso futuro numa aventura condenada ao fracasso. Aqueles que entrarem irregularmente em Ceuta ou Melilla serão devolvidos; não chegarão ao continente ou à Europa, nem poderão permanecer indefinidamente em Ceuta ou Melilla”, afirmou o ministro, de acordo com o El País.
A este propósito, Albares apontou para o que considerou ser “um novo elemento” nesta crise migratória: a utilização das redes sociais para mobilizar pessoas em direção à fronteira. O ministro destacou ainda o papel de Marrocos, classificando o país como “um parceiro fundamental” na gestão destes fluxos migratórios.
As declarações rapidamente chegaram aos migrantes que atravessaram a fronteira rumo a Ceuta, muitas vezes arriscando a própria vida, segundo o jornal espanhol. A mensagem do ministro, acompanhada pela sua fotografia, começou a circular em grupos de WhatsApp, alimentando a preocupação de que a promessa de repatriamento venha efetivamente a concretizar-se.
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