Longe das novelas desde “Travessia” (2022), Thiago Fragoso está de volta ao ar em “O profeta”, novela de 2006 que ele protagonizou e que agora está disponível no Globoplay. O ator relembra os bastidores da trama, adaptação de Duca Rachid e Thelma Guedes da obra original de 1977, escrita por Ivani Ribeiro:
— Fiz mais de duas mil cenas. Eu, especificamente, tinha um volume absurdo de trabalho. Eu não fazia mais nada da minha vida. Mas, ao mesmo tempo, eu estava muito feliz porque tinha colegas incríveis. Era um bastidor gostoso e também era uma super-responsabilidade, até porque o personagem tinha sido feito por um grande ator, o Carlos Augusto Strazzer, na primeira versão. Hoje estou em cartaz com uma peça, então escuto muitas pessoas dizendo que estão assistindo, porque existe essa possibilidade do streaming agora.
Fragoso está há quase dois anos em cartaz com o espetáculo “Dois de nós”, no qual contracena com Antonio Fagundes, Christiane Torloni e Alexandra Martins. O elenco acaba de fazer a 280ª apresentação, e o ator explica a que se deve o sucesso da montagem:
— É um casamento afortunado, porque temos um texto incrível, do que talvez seja o maior expoente da dramaturgia do teatro brasileiro, Gustavo Pinheiro. E, juntando isso a esse elenco, é um sonho realizado. Depois de tantas apresentações, a verdade é que nem sempre eu fico nervoso. Eu fico nervoso na estreia ou em datas específicas. Mas esta é uma peça que fizemos 280 vezes, então a gente domina. Ao mesmo tempo, essa coisa de ficar nervoso mostra que a gente está vivo ali, que não é uma coisa que estamos simulando. A cada dia, recriamos e reconstruímos essa história. O teatro tem dessas coisas. É um trabalho que você faz consigo mesmo para não deixar aquilo ficar fácil demais. Porque chega uma hora em que você conhece tanto aquele texto que pode fazer de olho fechado, pensando nas contas do mês. Quando isso acontece, você tem que fugir desse estado, porque aí fica perigoso. É entender como você mantém vivo, como não deixa cair no mecânico. Isso é muito legal, porque eu nunca fiz uma peça tantas vezes assim.