“A Morte de Belle”

Georges Simenon dividia os seus livros entre “populares” (onde incluía os do Comissário Maigret) e “duros”. Escrito e passado nos EUA, A Morte de Belle pertence a este segundo grupo e já foi adaptado ao cinema em 1961, por Édouard Molinaro, que o ambientou na Suíça. Esta nova versão, assinada por Benoit Jacquot, passa-se no interior de França. Pierre, um professor liceal (Guillaume Canet) e Cléa (Charlotte Gainsbourg), dona de um oculista, acolhem em casa a jovem Belle, filha da melhor amiga de Cléa, durante o ano escolar. Uma noite, a rapariga aparece estrangulada no seu quarto. Não há sinais de arrombamento e Pierre, que estava a corrigir testes na cave, diz não ter visto nem ouvido nada, e transforma-se no principal suspeito. Entretando, descobre-se que Belle era tudo menos a menina bem comportada que parecia, e tinha uma fixação em Pierre. Jacquot é bastante fiel ao tom do livro e ao gosto de Simenon por personagens peculiares, esquivas e complexas (Pierre é lacónico, passivo e distante, o que o torna ainda mais suspeito aos olhos da polícia), mas onde a obra tem um final fechado e cruelmente irónico, o realizador prefere rematar o filme com uma conclusão (desnecessariamente) aberta e ambígua.

“Um Casal (Im)perfeito”

Em 1989, Danny DeVito realizou e interpretou A Guerra das Rosas, uma comédia negra e satírica baseada no livro The War of the Roses, de Warren Adler, sobre a acrimoniosa e cada vez mais violenta separação de um casal abastado e aparentemente perfeito, personificado por Michael Douglas e Kathleen Turner. Mais de 30 anos depois, Jay Roach, o realizador das fitas da série Austin Powers, realizou Um Casal (Im)perfeito, uma nova adaptação do livro de Adler que é também uma versão livre da fita de DeVito, e uma homenagem a esta, agora com dois intérpretes ingleses nos principais papéis: Benedict Cumberbatch e Olivia Colman. Ivy (Colman) e Theo Rose (Cumberbatch) parecem ser a dupla perfeita. Apaixonaram-se perdidamente quando se conheceram, têm carreiras de sucesso, ele como arquitecto, ela no sector dos restaurantes, um casamento harmonioso, filhos fantásticos e uma casa de sonho. Todos os seus amigos os invejam, mas sob esta fachada de perfeição, há uma enorme tempestade a formar-se, quando os sonhos profissionais de Theo se desmoronam e as ambições de Ivy começam a concretizar-se.

“Apanhado a Roubar”

Depois de A Baleia, que deu a Brendan Fraser o Óscar de Melhor Actor, e do documentário Postcard From Earth, Darren Aronofsky vira-se agora para o cinema de acção com Apanhado a Roubar, passado em Nova Iorque nos anos 90 e que tem Austin Butler no principal papel. Ele é Hank Thompson, um prometedor jogador de basebol que nunca chegou a profissional. Hank bebe demais, trabalha como barman, tem uma namorada bonita e a sua equipa favorita de basebol está a ir muito bem no campeonato. Quando um vizinho lhe pede um favor banal, tomar conta do gato enquanto está fora, Hank vê-se metido num enredo envolvendo perigosos malfeitores, entre mafiosos russos e americanos, e um assassino profissional samoano, que o querem apanhar, sem que ele faça a menor ideia porquê. No elenco surgem também Zoë Kravitz, Vincent D’Onofrio, Griffin Dunne, Matt Smith, Liev Schreiber, Regina King e Carol Kane. Apanhado a Roubar foi escolhido como filme da semana pelo Observador.