Veículo levava quase meia tonelada de cocaína quando foi apanhado pela polícia

O rosto da estrela do futebol norueguês Erling Haaland apareceu em outdoors, cromos e ecrãs de televisão, depois de se ter tornado um fenómeno nas redes sociais ao marcar sete golos em quatro jogos do Campeonato do Mundo em julho.

Agora, a polícia do Equador encontrou a sua imagem num lugar inesperado: impressa em embalagens retangulares verdes que compunham um impressionante carregamento de cocaína apreendido num camião perto da fronteira com a Colômbia.

O condutor do veículo foi detido após a apreensão do carregamento de 469 quilos de cocaína esta quarta-feira, informou a polícia, mas não deu qualquer explicação para os autocolantes com a imagem do avançado norueguês de cabelo loiro.

No entanto, é prática comum os traficantes de droga etiquetarem os seus carregamentos com os nomes de figuras desportivas conhecidas e de outras celebridades como forma de sinalizar qual a rede criminosa que produziu a mercadoria e a que cliente pertence.

Um comunicado de imprensa informou que agentes anti-droga estavam a realizar uma operação após uma denúncia anónima recebida na manhã desta terça-feira na Rodovia Pan-Americana, quando avistaram um camião suspeito. Após a busca, encontraram 370 pacotes escondidos num compartimento falso no fundo do camião.

A polícia divulgou um vídeo que mostra os pacotes a sair do fundo falso do camião, com os autocolantes de Haaland – frequentemente chamado de “princesinha” e “queridinha” pelos seus fãs – claramente visíveis.

Haaland foi um dos marcadores e jogadores mais carismáticos do Campeonato do Mundo realizado no México, nos Estados Unidos e no Canadá, e a sua estatura imponente e o seu sentido de humor peculiar inspiraram uma onda de vídeos virais e memes criativos.

Haaland não é a única estrela de futebol aparentemente favorecida pelos traficantes de droga – a imagem do capitão da seleção argentina, Lionel Messi, também apareceu noutro pacote apreendido.

O Equador é considerado um centro logístico para o tráfico de droga, onde o produto é acumulado, armazenado e distribuído por rotas da América Central, principalmente para os Estados Unidos, embora também sejam enviados narcóticos para a Europa

A polícia informou que uma mulher identificada apenas como María R., portadora de documentos de identidade colombianos, foi detida na operação desta quarta-feira na zona de Guagua Negro, perto da cidade fronteiriça de Tulcán, a 246 quilómetros a norte da capital Quito.

O valor estimado da carga é de quase 842 mil dólares no mercado interno, mais de 11 milhões de dólares nos EUA e mais de 19,6 milhões de dólares (17 milhões de euros) na Europa.

No Equador, gangues criminosos locais aliados a cartéis colombianos e mexicanos controlam as rotas e enviam os narcóticos, dos quais 80% têm origem na Colômbia e os restantes no Peru.

No primeiro semestre deste ano, a polícia reportou a apreensão de 80 toneladas de droga, enquanto em 2025 as autoridades confiscaram quase 215 toneladas, sobretudo cocaína. Em 2024, a quantidade atingiu quase 295 toneladas.