A ministra da Cultura, Margareth Menezes, apresentará nesta quarta (13) em reunião com cineastas e produtores dados inéditos da Ancine (Agência Nacional do Cinema) sobre investimentos do governo no audiovisual brasileiro. As políticas públicas adotadas pela pasta têm sido alvo de constantes críticas por parte dos profissionais e associações que representam o setor.
Margareth mostrará que o FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), principal fonte de recursos do cinema nacional, aprovou em 2023 a destinação de R$ 1,225 bilhão para produção, distribuição, formação e circulação de filmes —valor que, segundo o MinC, é o maior da série entre 2016-2026.
Neste ano, foi aprovada a destinação de R$ 1,160 bilhão, quantia que, ainda de acordo com a pasta, está 51% acima da média dos últimos dez anos, de R$ 768,2 milhões.
No velório de Luiz Carlos Barreto, o Barretão, considerado um dos maiores produtores de cinema do Brasil, a sua viúva, a produtora Lucy Barreto, fez um desabafo sobre a situação do segmento e se dirigiu diretamente à ministra. “O cinema está desunido, existe uma política única, só para um lado, e não para o todo, para o cinema [como] indústria. Tem que haver uma mudança”, afirmou ela, na ocasião.
“As produtoras clássicas que estão aqui, que fazem cinema há muito tempo, não estão bem, porque não estão tendo uma política para isso”, complementou.
A afirmação foi lida como uma crítica às ações afirmativas do governo e ao deslocamento de recursos para outras regiões do país, deixando de fora empresas tradicionais do eixo Rio-São Paulo.
Margareth vai argumentar, porém, que as políticas de cotas abriram espaço para outros locais e perfis, mas sem deixar de investir em mercados que já possuem infraestrutura, empresas e profissionais.
Segundo dados da Ancine, que serão apresentados por ela, São Paulo e Rio de Janeiro concentraram em 2025 mais da metade (57,2% ou R$ 323,1 milhões) do total de recursos contratados pelo FSA, sendo que o estado paulista recebeu R$ 171,5 milhões, e o fluminense, R$ 151,6 milhões.
A participação dos dois locais nas contratações do Fundo caiu de 100% até 2010 para 67% em junho deste ano, de acordo com a pasta. O argumento da ministra será o de que houve desconcentração, mas não inversão da aplicação de recursos públicos.
com KARINA MATIAS (interina), DIEGO ALEJANDRO e JULLIA GOUVEIA
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