A TV 3.0 renova a competitividade da televisão aberta, que deve bater de frente com a concorrência das big techs. Esta é a interpretação de Flávio Lara Resende, presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), compartilhada com a CNN nesta quarta-feira (27).
A declaração foi dada após a cerimônia de oficialização do projeto, que possibilitará imagens com qualidade superior, som imersivo e recursos avançados de interatividade.
“Passaremos a ter uma presença na vida das pessoas similar a das redes sociais”, defende Resende.
Desafios ao setor
Na avaliação de Paulo Henrique Castro, presidente da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), e de Resende, o principal obstáculo para a implementação das TV 3.0 será de investimentos.
“As redes de televisão e radiodifusores terão que comprar novos equipamentos e transmissores, além de se conectar à internet”, explica Castro.
“Isso gera empregos qualificados, mas também demanda investimentos”.
O presidente da Abert, por sua vez, vocifera o interesse do setor em um financiamento por parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Ainda não há um montante previsto para a instituição aportar — mas Resende afirma à CNN que, nos próximos 15 anos, toda a migração para a TV 3.0 deve custar ao setor de transmissão cerca de R$ 11 bilhões.
“A gente acredita que terão linhas de crédito para auxiliar nesta implementação porque estamos falando de inclusão e democracia digital”, argumenta Paulo Henrique Castro.
Conversores
Do lado dos consumidores, naturalmente, o que pesa é o preço. Segundo o ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, existem duas formas de acessar a tecnologia: comprando um novo aparelho ou adicionando um conversor a um aparelho já existente.
“A produção em massa fará com que os valores [dos aparelhos] caiam. É natural que o produto comece mais caro e, à medida que ganha escala, vá barateando”, defende o executivo da SET.
Questionado sobre políticas públicas para a distribuição de conversores, Palmeira revela que ainda não há uma estruturação de projeto para tal. “Mas ainda temos um ano para isso”, defende, dado que a ideia é que implementar a TV 3.0 até a Copa do Mundo do ano que vem.