Há cerca de 20.000 anos, o planeta vivia o auge da sua última grande glaciação, um período conhecido como Máximo Glacial. Naquela época, imensas camadas de gelo cobriam vastas áreas da América do Norte, Europa e Ásia, mas entender como o clima global se comportava longe dessas geleiras sempre foi um desafio para a paleoclimatologia. 

Um novo estudo publicado no periódico Geophysical Research Letters traz dados inéditos que revelam um cenário muito mais rigoroso do que o previsto, indicando que a temperatura média da Terra era 5,4°C menor do que a atual.

Dados de regiões tropicais

Para superar as incertezas de dados limitados, a pesquisadora Alicia Hou e seus colaboradores compilaram 61 conjuntos de informações sobre climas de áreas de baixa a média latitude. 

Eles utilizaram indicadores naturais que funcionam como termômetros do passado, incluindo amostras de pólen antigo e gases nobres presentes em águas subterrâneas milenares. 

Conforme o veículo Science X, os resultados mostram que as terras tropicais eram, em média, 4,2°C mais frias do que hoje, enquanto os oceanos da mesma região tiveram uma queda de aproximadamente 2,6°C.

Desafios da reconstrução climática

A tarefa de olhar para trás exige uma precisão técnica elevada. Segundo a autora principal da pesquisa, “reconstruir o clima passado da Terra é uma tarefa desafiadora, pois há pouca informação distribuída de forma desigual, por exemplo, na forma de núcleos de gelo, sedimentos e fósseis”, explicou Alicia Hou

Para contornar essa lacuna, a equipe utilizou 13 simulações climáticas globais de última geração para identificar como as variações de temperatura nos trópicos se traduziriam para o resto do planeta de forma equilibrada.

Sensibilidade do sistema terrestre

As ramificações dessa descoberta são fundamentais para entender o futuro do aquecimento global. Se a diferença de temperatura era tão acentuada com níveis mais baixos de dióxido de carbono na Era do Gelo, isso implica que o sistema climático da Terra é extremamente sensível. 

O estudo reforça a confiança nos modelos modernos e praticamente descarta a possibilidade de que o planeta reaja de forma branda às mudanças atmosféricas. Essas conclusões oferecem parâmetros mais sólidos para que autoridades e planejadores possam criar cenários de adaptação mais confiáveis diante das transformações climáticas atuais.

*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes


Luiza Kellmann

Meu propósito é dar voz a narrativas.